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01/10/2018

Livros Sapienciais 7. Sabedoria

Por Nilo Luza

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Sabedoria é o último livro a ser escrito do Antigo Testamento. Foi escrito em Alexandria no Egito pelo ano 30 AC, época em que os romanos chegam no Egito. Alexandria, na época, tinha em torno de seiscentos mil habitantes, dos quais cento e cinquenta mil era judeus. Era a maior comunidade judaica fora da Palestina.

Sabedoria é um livro deuterocanônico, ou seja, um livro escrito em grego e que não faz parte da Bíblia Hebraica, escrita em hebraico e adotada pelos judeus. É também o único livro da Bíblia, talvez por influência grega, que apresenta a visão dualista da pessoa: corpo e alma.

A autoria do livro da Sabedoria era atribuída, até século passado, a Salomão, patrono da sabedoria em Israel, para dar maior credibilidade. Porém o livro nasceu muitos séculos depois de Salomão. O autor provavelmente é um judeu que vivia junto à comunidade judaico em Alexandria. Ele conhecia o helenismo, o grego e as tradições de Israel. Ele sente a forte atração que as principais filosofias gregas e as diversas religiões exercem sobre a vida de seus irmãos de raça e de fé. Por isso, tenta estabelecer diálogo entre fé e cultura grega, de modo a sublinhar que a sabedoria que brota da fé e conduz a vida dos israelitas é superior à que inspira o modo de viver dos habitantes de Alexandria.

O livro pode ser dividido em três partes: Primeira (1-5): predomina o tema da justiça e convida a amar a justiça e rejeitar as estruturas de morte. Descreve a sorte dos justos e dos ímpios, à luz da fé; Deus reserva a imortalidade aos justos. Segunda (6-9): é um discurso sobre a sabedoria em confronto com a sabedoria grega. Numa palavra trata da origem, natureza e meios para adquirir a sabedoria. É forte elogio da sabedoria, elevando-a acima dos valores mais apreciados neste mundo. Terceira (10-19): trata da ação da sabedoria na história, centralizada na libertação do Egito. O autor faz como que uma espécie de releitura de diversas passagens de vários livros do Antigo Testamento, principalmente do relato do êxodo. Além de fazer uma crítica contra a idolatria, muito forte no ambiente em que a comunidade judaica vivia.

Os principais destinatários do livro são três grupos: os governantes para que governem com justiça, sabendo que o poder é serviço, não busca de status e honras; sábios gregos para que conheçam, além das suas filosofias, a sabedoria de Israel; os jovens judeus para que se mantenham na fé e na tradição do seu povo e vençam a tentação de adesão ao helenismo.

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