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Bíblia

30/07/2018

Livros Sapienciais 5. Eclesiastes

Por Nilo Luza

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Eclesiastes, ou também chamado Coélet – que se apresenta como autor e filho de Davi, rei de Jerusalém (1,1) – foi escrito por volta da metade do século 3º AC (antes de Cristo), na época grega, provavelmente em Jerusalém. O nome “coélet” significa “aquele que fala na assembleia”. O autor foi um sábio e estudioso que se dedicou a “buscar a sabedoria” e a “ensinar publicamente”. Alguns estudiosos o consideram o “primeiro filósofo judeu”.

Depois de breve introdução (1,1-2) e uma conclusão (12,9-14), o livro pode ser dividido em três partes: primeira (1,3-6,12): ilusões e fugacidades da vida; segunda (7,1-9,6): críticas à sabedoria tradicional; terceira (9,7-12,8): conselhos, sentenças e convites para a alegria.

Diante de algumas afirmações, o autor é considerado pessimista, mas o que ele propõe são reflexões críticas e realistas sobre a realidade em que ele está vivendo: a dominação grega. É grande crítico da sabedoria tradicional judaica e do modo de vida dos gregos, que valorizam o prazer e o poder político, econômico e do conhecimento. Tudo isso leva ao individualismo. Procura resistir à política de helenização da cultura e da religião judaicas.

Além da crítica ao modo de vida dos gregos e ao sistema concentrador grego, o autor faz também forte crítica à “teologia da retribuição”, que também é uma ilusão e frustração (2,26). Para o autor, o trabalho deveria beneficiar o próprio trabalhador. Critica, portanto, a exploração que acontece por parte dos exploradores em cima do trabalhador.

Além da expressão: “vaidade das vaidades, tudo é vaidade ou ilusão das ilusões, tudo é ilusão”, talvez o texto mais conhecido do Eclesiastes seja o capítulo 3,2-8. Segundo o autor, não há nada de novo debaixo do sol, tudo se repete. A sabedoria consiste em realizar a ação certa no momento certo. Cada momento tem sua ocupação e sua preocupação.

Para Coélet, a felicidade consiste em viver o momento presente com simplicidade (7,29), usufruindo do fruto do próprio trabalho (3,13). Trabalhar para outros aproveitarem o fruto do trabalho não gera felicidade. Para ele não há garantia de felicidade; há, contudo, a possibilidade de buscá-la. Há caminhos que podem nos levar à felicidade: relativizar o que não valoriza a vida (8,15), temor de Deus (só ele é soberano e merece fidelidade), solidariedade e partilha (4,9).

Coélet poderia nos questionar nesse início do século 21: o que é a felicidade para o homem e a mulher no mundo globalizado de hoje? Como o operário e o trabalhador de hoje pode usufruir do fruto do seu trabalho, sem ser explorado de diversas formas?

 

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