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Bíblia

06/11/2019

9. Livro dos Juízes

Por Nilo Luza

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Continuando o relato de Josué, o livro dos Juízes narra a história de Israel desde a morte de Josué até o fim da época do tribalismo, quando inicia a monarquia com Saul. O nome “juízes” deriva do hebraico (shoftim) que trata das personagens desse livro. São histórias sobre vários heróis (juízes) do passado de Israel. O livro reúne histórias do início da ocupação da Terra Prometida. Em momentos de crises ou ameaças externas, Javé suscita do meio das tribos homens e mulheres que intervenham para solucionar o problema. Os livros de Josué e Juízes são as principais fontes históricas de Israel no período entre 1200-1000 AC.

Assim como os outros livros da Obra Deuteronomista, a formação do livro dos Juízes tem longa história. Provavelmente iniciou no tempo do rei Josias (640-609 AC) e teve sua conclusão após o exílio na Babilônia. Cobre o período do tribalismo, em torno de 200 anos, por volta de 1200 a 1000 AC, época em que ainda não havia surgido a monarquia.

Dinâmica do livro funciona mais ou menos do seguinte esquema: os filhos de Israel fazem o que é mau aos olhos do Senhor e prestam culto a Baal, rompendo a aliança com o Deus do êxodo. Com isso, vem o castigo de Deus, que os entrega nas mãos dos inimigos. Diante disso, o povo se arrepende e clama a Deus, este se comove e suscita um salvador para libertá-lo.  Depois de um período de paz, tudo recomeça com a infidelidade a Javé.

Normalmente os juízes são classificados em maiores e menores. Os juízes maiores são apresentados como heróis tribais, que lideravam movimentos de libertação. São eles: Otoniel (Jz 3,7-11), Eúde (Jz 3,12-30), Débora (Jz 4-5), Gedeão (Jz 6-8), Jefté (Jz 10,6-12,7) e Sansão (Jz 13-16). Os juízes menores são os que pouco se fala deles, é dito apenas que exerceram sua função durante um período. Os menores são: Sangar (Jz 3,31), Tola (Jz 10,1-2), Jair (Jz 10,3-5), Abesã (Jz 12,8-10), Elon (Jz 12,11-12) e Abdon (Jz 12,13-15). São seis maiores e seis menores, totalizando doze, número bíblico muito significativo.

Os juízes são vistos como instrumentos nas mãos de Deus. São os salvadores desta ou daquela tribo, representam a vontade divina e executam o plano divino. Deus se serve de homens e mulheres para derrotar os inimigos do povo e concretizar seus projetos. Dentre os juízes se destaca a juíza Débora, mulher, juíza e profetisa. Ela aparece nos capítulos 4 e 5, onde temos belo exemplo de como as tribos se organizavam para se defender. O cântico de Débora (Jz 5) é um dos mais antigos escritos da Bíblia.

Temos nesse livro a presença de duas tradições que deixaram sua marca: a deuteronomista (Jz 2,6-16,31) e a sacerdotal (Jz 1,1-2,5 e os capítulos 17-21). Os deuteronomistas propunham marcar a história do ponto de vista religioso e mostrar que os reis de Israel (norte) e de Judá (sul) são responsáveis pelo exílio babilônico. Ao passo que os sacerdotes procuram diminuir a importância das tribos do norte, valorizam mais as tribos do sul e pretendem dar uma explicação religiosa pela invasão das nações estrangeiras.

Podemos dividir o livro dos Juízes em três partes: Primeira parte: Introdução (Jz 1,1-3,6): Apresenta um resumo da instalação das tribos em Canaã (Jz 1,1-2,5) e faz como que uma ligação com o livro de Josué (Jz 2,6-3,6). Segunda parte: história dos juízes (Jz 3,7-16,31): É a mais longa e trata da vida e da luta dos heróis para libertar as tribos dos conflitos internos e das ameaças externas. Terceira parte: Conclusão (Jz 17-21): São acréscimos tardios, talvez após o exílio, que tratam de assuntos diversos: traz a história da migração da tribo de Dã para o norte e da fundação do santuário de Dã (Jz 17-18); narra um crime contra uma mulher, cometido por benjaminitas, que acaba provocando uma guerra contra a tribo de Benjamim (Jz 19-21).

O livro dos Juízes faz um apelo constante para que o povo se mantenha fiel aos planos divinos, assegurando paz e segurança às tribos, assim possa contar também com a proteção de Javé.

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