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Bíblia

04/10/2019

8. Livro de Josué

Por Nilo Luza

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O nome Josué significa “Deus salva” e tem a mesma etimologia da palavra Jesus. O livro traz o nome de Josué por ser o personagem central. Ele é auxiliar (Js 1,1) e sucessor de Moisés na conquista da Terra Prometida. É o sexto livro em ordem das Bíblias. A data da redação do livro de Josué vai da atuação do rei Josias (640-609 a.C.) até por volta e 400 a.C., quando foram inseridos alguns acréscimos e o livro ficou pronto como o conhecemos.

O tema do livro é a posse da Terra Prometida e sua divisão entre as tribos. Essa posse, porém, é vista como iniciativa e dom de Javé. Para isso, o povo necessita obedecer a Torá, as leis dadas por Moisés. Mais do que descrever um relato jornalístico, o autor está mais preocupado em revelar o significado e o alcance dos acontecimentos.

O livro de Josué contém uma das várias teorias da ocupação da Terra Prometida. Talvez a menos viável ou a mais incerta. É uma teoria fundamentalista e demasiadamente violenta. Alguém a definiu como “o primeiro genocídio da humanidade”.

Podemos dividir o livro de Josué em três partes principais: Primeira: conquista da terra (1-12); segunda: divisão da terra entre as tribos (13-21); terceira: discursos de Josué (22-24).

Primeira parte (1-12): O livro de Josué começa logo após a morte de Moisés, ainda nas terras de Moab, quando Javé fala a Josué que dê continuidade à obra iniciada por Moisés. O povo é convidado a ser forte e corajoso para cumprir a lei (Js 1,7) e assim obter a posse da terra, a desobediência pode frustrar as promessas divinas. Vivendo no exílio babilônico, o povo vê a situação em que se encontra como castigo por não ter cumprido as ordens de Javé. Mas tem consciência também de que pode confiar nele, pois o ajudará a reconquistar a terra como da primeira vez quando foi libertado do Egito.

Esta primeira parte trata dos preparativos para a posse da terra, a travessia do Jordão, com a presença da Arca da Aliança, sinal da presença de Deus. O primeiro gesto do povo que tomou posse da terra foi celebrar a Páscoa, festa que lembra o êxodo, a conquista da terra e da liberdade. A maior parte desses capítulos praticamente se resumem no reconhecimento dos territórios e das várias conquistas

Segunda parte do livro (13-21): Não mais trata das guerras de conquistas, mas trata da divisão igualitária da terra entre as doze tribos. A tribo de Levi, conhecida também como “tribo sacerdotal”, não recebeu seu lote de terra, pois ela era encarregada do culto e sacrifícios no templo. As antigas promessas de Deus aos antepassados tornam-se realidade concreta. As cidades de refúgios (Js 20) eram como que “cidades de asilo” para proteger quem tivesse matado alguém acidentalmente. Na sociedade semita antiga, o parente mais próximo da vítima podia vingar a morte. Por isso, havia a necessidade de proteger a pessoa que matasse involuntariamente. O objetivo dessas cidades era proteger o assassino do vingador de sangue (Dt 19,1-13).

Terceira parte (22-24): Após o retorno de algumas tribos além do Jordão e a superação de um conflito entre as tribos, estes capítulos trazem dois discursos de Josué, que apresenta sua despedida, fazendo como que uma releitura da história dos antepassados, desde o tempo dos patriarcas até a conquista da terra. Por fim, convoca uma celebração de unidade com a Aliança em Siquém, fazendo um apelo às tribos a se manterem fiéis a Javé, o Deus de Israel.

O autor deuteronomista conclui, dizendo ao povo exilado na Babilônia que, se permanecer fiel a Javé, terá a terra de volta, ou seja, voltarão para sua terra. Insiste que o povo precisa ser forte e corajoso para cumprir a Lei que Moisés lhe ordenou. Na aliança, o povo todo se compromete com o Deus libertador, proclamando: “É a Javé que nós serviremos. É sua voz que nós ouviremos” (Js 24,24). Josué coloca uma pedra como testemunho daquilo que o povo acabou de se comprometer.

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