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Bíblia

05/09/2019

7. Livros históricos

Por Nilo Luza

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A Bíblia Hebraica divide o Antigo Testamento em três grandes partes: Pentateuco (Torá): cinco livros; Profetas (Neviim): vinte livros; Escritos (Ketuvim): doze livros. Por sua vez, a Bíblia Católica divide o Antigo Testamento em quatro partes: Pentateuco: cinco livros; Históricos: dezesseis livros; Sapienciais: sete livros; Proféticos: dezoito livros.

O segundo grande bloco da Bíblia Católica é formado pelos livros chamados históricos. São dezesseis livros, englobando os livros que a Bíblia Hebraica chama Profetas Anteriores: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis; alguns Escritos: Esdras, Neemias, 1 e 2 Crônicas; dois Meguilot (rolos): Rute, Ester; Deuterocanônicos (não fazem parte da Bíblia Hebraica): Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus.

Os seis primeiros desses livros (Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis), mais o livro do Deuteronômio (mais tarde desvinculado e unido ao Pentateuco) formam a assim chamada História Deuteronomista ou Obra Deuteronomista. Portanto, o Deuteronômio conclui a primeira parte da Bíblia Católica e é o primeiro livro da História Deuteronomista.

A Obra Deuteronomista é assim chamada por ter como base Deuteronômio 12-26, suposto livro encontrado no templo por ocasião das reformas do rei Josias (640-609 AC). Segundo os estudiosos, houve várias redações da historiografia deuteronomista até ficar pronta como a conhecemos hoje: durante o reinado de Josias (640-609 AC), a partir de Deuteronômio 12-26, durante o exílio na Babilônia (586-538 AC) e a conclusão da obra teria acontecido após o exílio (por volta de 450-400 AC).

A História Deuteronomista procura reavaliar a história do povo de Deus, desde a posse da terra, sob a liderança de Josué, até a perda da liberdade e da terra com o exílio babilônico, além de apresentar o rei Josias como o novo Davi e legitimar a reforma de Josias. Os escribas do templo da corte de Josias propunham fazer propaganda da dinastia de Davi. A intenção de Josias era reunificar novamente os reinos do Norte (Israel) e do Sul (Judá), separados com a morte de Salomão.

As principais reformas de Josias estão relatadas em 2Rs 23,4-27 e em 2Cr 34,1-35,18. Algumas propostas dos teólogos da corte de Jerusalém, no tempo de Josias: proibição do culto fora de Jerusalém, destruição dos santuários de Israel, abolição de imagens e culto aos deuses, Jerusalém único lugar para oferecer sacrifícios…

Os autores deuteronomistas se utilizaram de algumas fontes orais e escritas que circulavam na corte e entre as comunidades. Com esse trabalho, os escribas da corte pretendiam recapitular a história de Israel desde a partida do Sinai até a deportação para a Babilônia (586 AC). Queriam refletir sobre as causas das perdas e derrotas que o povo foi tendo ao longo desse tempo. Ao mesmo tempo, mostrar a fidelidade de Javé à aliança com o povo.

Os Livros Históricos podem ser divididos em quatro grupos: 1) Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis, são como que uma continuação do Pentateuco; 2) 1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias, escritos no pós-exílio; 3) Rute, Tobias, Judite e Ester, são de estilo literário novelesco e relatam a história de personagens considerados modelos de fidelidade às tradições judaicas; Tobias, Judite e parte de Ester são deuterocanônicos (não fazem parte da Bíblia Hebraica); 4) 1 e 2 Macabeus, relatam a revolta da família macabaica contra o domínio selêucida (época dos gregos).

Os Livros Históricos narram a história de um povo pequeno que, praticamente, sempre esteve sob o domínio de algum império: Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma. Apesar dos altos e baixos, a história de Israel sempre foi pautada pela esperança. Ao falar sobre esses livros, seguiremos a ordem em que se encontram na Bíblia Católica.

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