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Bíblia

19/08/2019

6. Livro do Deuteronômio

Por Nilo Luza

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O Deuteronômio (segunda lei) é o último dos cinco livros do Pentateuco. É formado por diversos discursos colocados na boca de Moisés, espécie de testamento espiritual pronunciado antes de sua morte. O livro é fruto de longo e complexo processo redacional.

Durante a restauração do templo de Jerusalém, o sacerdote Helcias encontra (por volta de 620 AC) o “livro da lei”, que foi lido diante de todo o povo. Esse “livro da lei” é considerado o primeiro esboço do Deuteronômio. Provavelmente tenha sido escrito em Jerusalém, reflete, porém, as tradições do reino do norte (Israel) e composto após a queda da Samaria (722 AC). Esse “livro da lei” passa a servir de lei para o povo. O livro do Deuteronômio foi concluído no período do exílio na Babilônia.

Podemos distinguir três partes principais na composição do livro: os fatos, a memória e a composição. Os fatos narrados no Deuteronômio vão desde a saída do Egito até as vésperas da entrada na Terra Prometida. Esses fatos estão sintetizados nos discursos de Moisés ao povo hebreu.

A memória trás a lembrança de Moisés falando séculos antes dos acontecimentos da queda da Samaria (722 AC), reino do norte, e a queda de Jerusalém (587 AC), reino do sul, seguida da deportação para a Babilônia. Esses séculos de crises e tentativas de reformas levou o povo de Deus a relembrar o seu passado e reconhecer que seu Deus é um Deus que ama e não abandona seu povo.

A composição do Deuteronômio acontece praticamente em Jerusalém. Com a queda da Samaria, muitos levitas fugiram para o reino do sul, Judá. Com a experiência que tinham da vivência no reino do norte, deram sua contribuição ao rei Ezequias, que desejava fazer uma reforma, diante do medo de acontecer, no sul, o que aconteceu no norte.

Podemos dividir o livro do Deuteronômio em quatro partes principais: Discursos de Moisés (1-11); Código deuteronômico (12-26); Celebração da aliança (27-30); Despedida e morte de Moisés (31-34).

Discursos de Moisés (1-11): Nesses capítulos temos dois grandes discursos de Moisés. O primeiro resume a história da caminhada do povo de Israel do monte Sinai (Horeb) até o Jordão. O segundo discurso retoma a história passada de Israel, que tem como cenário o Horeb.

Código deuteronômico ou Código da aliança (12-26): É o núcleo mais antigo do Deuteronômio e contém normas e instituições dos camponeses do norte (Israel). Representa em grande parte a lei (livro da lei) encontrada no templo. Reúne diversas coleções de leis de diferentes origens.

Celebração da aliança (27-30): Este bloco conclui o segundo discurso de Moisés, iniciado em Dt 4,44. Traz bênçãos e maldições para quem cumpre ou não a lei da aliança. Nesse bloco podemos reconhecer três introduções: Moisés com os anciãos se dirige ao povo, Moisés com os sacerdotes levitas se dirige a todo Israel, Moisés sozinho fala ao povo.

Despedida e morte de Moisés (31-34): Estes capítulos formam como que a conclusão geral do Pentateuco e a transição para o livro de Josué. Este bloco reúne elementos de origens e épocas diversas, que foram incorporados ao livro por ocasião de sua última redação.

Com a morte de Moisés, chega ao fim o período fundacional da história de Israel. Sem dúvida, Moisés muito contribuiu para o nascimento do povo, acompanhando-o desde a saída do Egito até a proximidade da entrada na Terra Prometida.

A libertação é obra de Deus, ele libertou o povo escravo no Egito, acompanhou-o pelo deserto e lhe deu uma terra. A aliança mostra o povo de Israel se descobrindo como povo escolhido por Deus, vendo os sinais da presença e da ação de Deus no passado e no presente.

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