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Bíblia

22/07/2019

5. Livro dos Números

Por Nilo Luza

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1. Introdução

O livro dos Números (bemidbar em hebraico ) é o quarto do Pentateuco. Provavelmente recebeu esse nome devido aos recenseamentos dos israelitas e levitas e algumas outras listas de chefes de família. A redação do livro surge bem depois dos fatos narrados. Como o conhecemos ficou pronto após o exílio na Babilônia. É como se fosse uma continuação do que vinha desde o Êxodo 25. O livro narra, sob a liderança de Moisés e Aarão, a história da caminhada do povo pelo deserto do Sinai até vislumbrar a Terra Prometida e fala das leis ditadas ao longo da caminhada.

Propomos a seguinte divisão: 1) preparativos para partir do Sinai (Nm 1,1-10,10); 2) caminhada do Sinai até Moab (Nm 10,11-21,35); 3) na estepe de Moab (Nm 22-36).

2. Preparativos para partir do Sinai (1,1-10,10)

Após o recenseamento (Nm 1-4), que tem a função de ver o número dos homens adultos aptos para a guerra, esta parte tem em mente a constituição de Israel como uma comunidade sagrada e organizada sob a hierarquia dos sacerdotes. Detalha a organização do santuário, as funções sacerdotais e os diversos rituais (Nm 5-6), inspirando-se em Levítico (11-16). Os capítulos 7-8 continuam os temas ligados ao culto e às ofertas. A parte conclui com a celebração da páscoa e a partida (Nm 9-10). Páscoa significa passagem de uma situação de vida para uma situação melhor. Como se vê, é possível ser povo de Deus mesmo estando em marcha pelo deserto.

3. Caminhada do Sinai até Moab (10,11-21,35)

Essa parte se assemelha muito a Êxodo (15,22-18,27). Após a partida das várias “famílias”, “os filhos de Israel partiram do deserto do Sinai (Nm 10,12). Após receber as leis para a organização da comunidade israelita, retoma-se a marcha. Nessa viagem pelo deserto inclui algumas paradas até chegar à planície de Moab, localizada além do Jordão, próxima a Terra Prometida.

A história do povo em marcha pelo deserto é cheia de altos e baixos. O povo se queixa do maná (Nm 11,6) e a falta da carne (Nm 11,4); brigas entre lideranças (Nm 12); reclama da falta da água (Nm 20,1-11); enfrenta a praga de cobras venenosas (Nm 21,6); cai na idolatria e na devassidão. Diante das quedas e reclamações do povo, Deus se mostra paciente e misericordioso, perdoa a culpa e a rebeldia (Nm 14,20). Outras leis sobre sacrifícios e poderes dos sacerdotes e levitas (Nm 15-19). A busca de uma vida melhor nem sempre é conquista fácil. Essas narrativas ensinam lições importantes sobre as infidelidades a Deus e os conflitos surgidos ao longo da caminhada pelo deserto. O deserto é sempre um desafio, que nem todos conseguem encarar.

4. Na estepe de Moab (22-36)

No final do bloco anterior, tivemos a morte de Míriam (Nm 20,1) e de Aarão (Nm 20,28). A morte dessas lideranças e muitos outros (Nm 26,64) mostra que o tempo até chegar perto da Terra Prometida foi longo e penoso, assinala a passagem para uma nova geração. Finalmente o povo que sobreviveu acampa “nas estepes de Moab” (Nm 22,1). Toda esta terceira parte se concentra em Moab. Encontramos ainda Balaão e seus oráculos (Nm 22-24).

No capítulo 26 repete o recenseamento dos israelitas e dos levitas para ver o que sobrou da caminhada pelo deserto. São recenseados os homens a partir de 20 anos para o serviço militar em Israel (Nm 26,2) e para ver quantos estão aptos para entrar na Terra Prometida e a divisão que cabe a cada tribo (Nm 26,52-56).

Moisés, depois de ter vislumbrado a Terra Prometida que ele não iria usufruir, preocupa-se com seu sucessor. Pede a Deus para que seu sucessor seja “alguém que exerça a liderança, para que a comunidade de Javé não fique como rebanho sem pastor” (Nm 27,17). Por fim, retoma praticamente os sacrifícios e as leis sobre as festas litúrgicas (Lv 23), retocadas e ampliadas pela teocracia pós-exílica. Por fim, trata dos despojos de guerra e a partilha (Nm 31-36).

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