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Bíblia

06/06/2019

4. Livro do Levítico

Por Nilo Luza

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Em hebraico é conhecido pelo nome da primeira palavra waicra (e chamou), em português recebe o nome de Levítico que deriva da tribo de Levi. Este livro trata justamente das funções e normas a respeito do culto. A obra é atribuída à escola sacerdotal e concluída após o retorno do exílio na Babilônia, pelo ano 400 AC. O Levítico é importante para o povo judeu, é o coração da Torá, centro do Pentateuco. O ponto alto do livro é o capítulo 16, que traz o “dia da expiação”, ou seja, “Yom Kipur”, também chamado “dia do perdão” ou da purificação.

Podemos dividir o livro em seis partes: 1) leis dos sacrifícios e ofertas (1-7); 2) a consagração dos sacerdotes (8-10); 3) leis do puro e do impuro (11-15); 4) o grande dia da expiação (16); 5) código da santidade (17-26); 6) apêndice: resgate das ofertas votivas (27).

A primeira parte abrange os capítulos 1 a 7. Este código sacrificial representa a liturgia que começa a florescer no templo de Jerusalém após a sua reconstrução. Apresenta os diversos tipos de sacrifícios do culto e o ritual que deve ser observado em cada um deles. Iniciou provavelmente quando Jerusalém foi estabelecida como único lugar onde eram permitidos os sacrifícios. São mencionados diversos tipos de sacrifícios: holocaustos (Lv 1,1-7): o animal é totalmente queimado; oblação (Lv 2,1-16): ofertas de produtos da terra; sacrifício de comunhão (Lv 3,1-17): o animal é repartido entre Deus e o ofertante; sacrifício pelo pecado (Lv 4,1-5,13): queima-se o sangue e a gordura sobre o altar e o resto é queimado fora do acampamento; sacrifício de reparação (Lv 5,14-26): oferece-se normalmente um carneiro, uma parte é queimada e outra é para os sacerdotes. Os dois últimos capítulos (Lv 6-7) são dedicados ao sacerdócio e seus sacrifícios.

Os capítulos 8 a 10 compõem a segunda parte, que narra as instruções sobre a consagração ou investidura dos sacerdotes e a correta realização dos rituais. Moisés cumpre o que estava determinado para a consagração dos sacerdotes e do santuário.

A terceira parte (11-15) trata da lei do puro e do impuro. Podemos dividi-la em quatro categorias de puro e impuro. 1) Animais puros e impuros (Lv 11), puros são aqueles que podem ser oferecidos ao Senhor e que podem ser comidos, os impuros são os que os pagãos consideravam sagrados. 2) Levítico 12 trata da purificação da mulher após o parto. A mulher não se tornava impura pelo parto em si, mas pelo sangue consequência do parto. 3) Sobre a lepra e as doenças da pele o autor dedica dois capítulos (Lv 13 e 14). A lepra englobava várias doenças da pele e era vista como contagiosa. 4) As impurezas sexuais do homem e da mulher (Lv 15).

O capítulo 16, coração do livro, relata o grande dia da expiação ou do perdão, o chamado “yom kipur”, que ainda hoje é celebrado pelas comunidades judaicas. Seu objetivo era a purificação do santuário dos pecados e das impurezas do povo por meio de atos cultuais.

A quinta parte é a lei da santidade (17-26). Deus conclama a comunidade a ser santa: sejam santos, como eu sou santo (Lv 19,2; 20,26). Muito desse material é produto do tempo do exílio na Babilônia. Longe do templo, a comunidade se fortalece em torno da palavra. Assim surge a “comunidade do livro”. O “código da santidade” é uma proposta de sobrevivência da identidade. A seção inicia com as proibições religiosas (Lv 17), a seguir vêm as proibições sexuais (Lv 18), diversas recomendações cultuais e éticas (Lv 19), passando para o valor da vida (Lv 20), a santidade exigida daqueles que estão a serviço no templo (Lv 21-22), as principais festas de Israel e alguns rituais (Lv 23-25), o código de santidade conclui com as bênçãos e as maldições (Lv 26).

O Levítico termina com o capítulo 27 que é como que uma espécie de apêndice. Determina taxas e resgates para as pessoas, os animais, as casas, os campos e conclui com os dízimos.

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