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Bíblia

08/05/2019

3. Livro do Êxodo

Por Nilo Luza

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Êxodo é palavra de origem grega e significa “saída, retirada”; em hebraico é chamado Shemot (nomes), porque o livro começa lembrando os nomes dos filhos de Israel que foram para o Egito (Ex 1,1). O grupo, que faz a experiência da divindade que se mostra sensível à violência e à injustiça, conseguiu fugir da opressão do Egito e se integra a outros grupos de pastores e camponeses, formando o povo de Israel nas montanhas de Canaã (Palestina).

A história do livro do Êxodo levou vários séculos até ficar pronto como o conhecemos hoje. Abrange uns oitocentos anos de história. O livro é fruto de longa caminhada que reflete, mais do que fatos históricos, um processo de releituras e reinterpretação teológica da história da origem de Israel. Podemos perceber ao longo do texto várias etapas: iniciando com o refrão de  Maria ou Míriam (Êxodo 15,20s) por volta de 1200 AC e concluindo com a redação final do livro por volta de 400 AC.

Há várias possibilidades de dividir o livro do Êxodo, optamos por dividi-lo em três partes: primeira (1,1-15,21): opressão no Egito; segunda (15,22-18,27): caminhada no deserto até o Sinai; terceira (19-40): aliança no Sinai.

Primeira parte (1,1-15,21): narra a opressão, a mediação e a libertação dos hebreus. Deus ouve o clamor do povo, desce para libertá-lo e fazê-lo subir para uma terra fértil (Ex 3,7-8). Javé convoca Moisés para a difícil tarefa de libertar o povo das mãos do faraó (Ex 3,10). Moisés tenta convencer o faraó para que o deixe partir, mas o faraó resiste.  Diante da recusa do faraó, começa um confronto mais pela persuasão do que pela força, é o recurso das “dez pragas” (Ex 7-10), fenômenos muito conhecidos no antigo Egito. Sejam elas fenômenos naturais ou fatos maravilhosos, o importante é perceber o que está em jogo: é uma disputa entre o oprimido e o opressor, entre os representantes de Javé e os representantes do faraó. Na noite antes de partir, o povo celebra a páscoa (Ex 12-13) e esta parte conclui com o bonito cântico de Moisés e Míriam (Ex 15), celebrando a vitória.

Segunda parte (15,22-18,27): relata a caminhada de Israel do Egito para o Sinai. É como que um resumo da experiência de Israel no deserto. Aí acontecem as murmurações do povo contra seu Deus e contra seus líderes (Ex 15,24; 16,2-3.8-9; 17,2-3). Temos relatos que descrevem “milagres”, como a presença de comida e água em lugar hostil (Ex 16,13-16; 17,4-7). Javé alimenta e sacia seu povo em sua permanência no deserto. A caminhada pelo deserto simboliza também a vida que é uma contínua busca de sentido individual e comunitária.

Terceira parte (19-40): o povo chega ao Sinai, onde Moisés recebe as leis e Deus faz uma aliança com seu povo. A expressão maior dessa aliança está no Decálogo, popularmente conhecido como “os dez mandamentos” (Ex 20,1-17). O objetivo primeiro do Decálogo é a vida e a liberdade das pessoas. As leis têm em vista a defesa da vida do povo. Nessa parte, distinguem-se: o código da aliança (Ex 19-24), as instruções sobre a construção do santuário (Ex 25-31); a ruptura da aliança e sua renovação (Ex 32-34); a execução das instruções do santuário dadas nos caps. 25-31 (Ex 35-40).

O “processo do êxodo” continua onde não há vida digna e liberdade para o povo. Em todos os tempos, há faraós que precisam ser desmascarados em seu intento de dominação. O êxodo do povo hebreu, protótipo de todos os êxodos, nos mostra que a libertação é um processo contínuo, onde as sociedades não primam pela vida e pela dignidade das pessoas.

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