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Bíblia

15/04/2019

2. Livro do Gênesis

Por Nilo Luza

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O livro do Gênesis é o primeiro livro que encontramos nas Bíblias, mas não o primeiro a ser escrito. Todo ele é um retalho de tradições orais e escritas de várias épocas. O livro inicia com a palavra hebraica bereshit (no princípio); o grego a traduziu por génesis (origem, nascimento), da qual deriva o nome do livro. As narrativas do Gênesis são reflexões do povo sobre a origem da humanidade e do mundo. Seu interesse é contar o passado para explicar a realidade que estão vivendo no presente.

Como a maioria dos livros bíblicos, o Gênesis não foi escrito na época em que os fatos aconteceram. Ele ficou pronto, como o conhecemos, após o retorno do exílio na Babilônia, por volta do ano 400 AC (antes de Cristo). Teve três momentos importantes de sua elaboração: durante a monarquia, principalmente no reinado de Salomão (971-931 AC); durante o período entre 800-700 AC; durante o período do exílio na Babilônia e do pós-exílio (586-400 AC).

Muitos estudiosos dividem o Gênesis em duas grandes partes (1-11 e 12-50). Preferimos dividi-lo em três partes: 1) as origens (1-11); 2) patriarcas e matriarcas (12-36); 3) José e seus irmãos (37-50).

Primeira parte (Gn 1-11): São relatos da criação da humanidade e do universo. Nos dois primeiros capítulos temos duas narrativas da criação, de épocas e contextos diferentes. Primeiro relato (Gn 1,1-2,4): Deus é o criador e, durante seis dias, põe ordem no caos e o sétimo dia é dia de descanso (sábado). Os escravos na Babilônia têm direito ao descanso, como Deus descansou. Segundo relato (Gn 2,4-25): tudo é seco e precisa ser transformado em vida. A primeira obra é o ser humano, o qual colabora com Deus na criação. Tudo é obra de Deus e ele viu que tudo era muito bom. Até que surge a serpente (Gn 3) para estragar o projeto divino, com isso nasce o pecado (Gn 4,7), os irmãos entram em conflito (Gn 4), as águas vêm para renovar a humanidade (Gn 7 e 8), mas esta prefere construir seu próprio projeto, que a leve até o céu (Gn 11).

Segunda parte (Gn 12-36): Esta parte apresenta a história dos patriarcas e matriarcas. Não são propriamente pessoas isoladas, mas são narrativas de famílias, clãs e tribos. Por trás dessas personagens, temos grupos de pessoas ou famílias que procuram viver em harmonia, mas nem sempre conseguem. Mais do que os laços de sangue, o que une esses grupos são objetivos comuns: a posse da terra, a organização da comunidade, a busca por liberdade e vida. Temos num primeiro momento o ciclo de Abraão (Gn 12,1-25,18), que mostra a relação entre as tribos do Sul e do Norte, antes, durante e após o exílio. Depois vem o ciclo de Isaac e Jacó (Gn 25,19-36,43), são tradições dos patriarcas e matriarcas das tribos das regiões do Norte (Betel e Siquém).

Terceira parte (Gn 37-50): Esta parte traz a história dos filhos de Jacó, mais precisamente as histórias de José. José, o sonhador, é rejeitado pelos seus irmãos, que o vendem aos ismaelitas, e estes o levam para o Egito. De jovem pastor que sobrevive a tramas, José torna-se homem influente na corte no Egito. Será o homem forte do faraó e salvará sua família da crise que provocou a fome. Reflete um pouco a política de Salomão (971-931 AC) e vem para justificar a monarquia em geral. O capítulo 47,13-26 mostra bem a política perversa do faraó, e que foi implantada também em Israel no tempo de Salomão. Política que sacrifica e empobrece cada vez mais o povo da terra. Dizendo que essa política agrária foi criada por José, justifica a prática de Salomão.

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