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Bíblia

16/01/2020

11. Primeiro livro de Samuel

Por Nilo Luza

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Originalmente os dois livros de Samuel formavam um só tomo, foi dividido em dois na tradução para o grego (septuaginta). Talvez o nome deriva do fato da presença de Samuel no relato. Provavelmente foi escrito ou compilado em Jerusalém pelos escribas, que reuniram tradições orais e escritas do Norte (Israel) e do Sul (Judá). Sua redação final se deu durante o cativeiro na Babilônia. Os livros de Samuel marcam a transição da época dos juízes para os reis, colocando em cena Samuel, Saul e principalmente Davi.

O primeiro livro de Samuel inicia com o surgimento de Samuel como profeta de Israel. Esse livro narra a história de Israel por volta de 1030 AC até o declínio de Saul e ascensão de Davi ao trono por volta de 1000 AC. Abrange a crise e o declínio do sistema tribal e vai até o início do reinado de Davi. Foi um período de mudança de rumos na história de Israel. O livro apresenta uma análise crítica dessa etapa da história do povo de Deus. Avalia as circunstâncias em que se deu essa reviravolta e as consequências que ela acarretou.

Podemos dividir o primeiro livro de Samuel em três partes: primeira parte (1Sm 1-7): centrada na figura de Samuel e os primeiros sinais de mudança; segunda parte (1Sm 8-15): transição dos juízes para a monarquia, centrado principalmente na figura de Saul, primeiro rei de Israel; terceira parte (1Sm 16-31): declínio de Saul e ascensão de Davi ao trono.

Primeira parte (1Sm 1-7): Por causa do perigo externo e a corrupção interna, surgem os primeiros rumores para a monarquia. Em meio a essa situação, nasce Samuel – juiz, sacerdote e profeta –, filho de Ana e Elcana (1Sm 1,19-20). Ana de estéril torna-se mãe, com isso fica muito contente e resolve consagrar o filho ao Senhor. Enquanto Samuel servia no santuário de Silo, junto com Eli, o Senhor o chamou para a missão de denunciar a corrupção na casa de Eli (1Sm 3,13). Nesta parte, além do nascimento e da missão de Samuel, aparece a arca da aliança, símbolo da presença de Deus no meio do povo, que foi sequestrada pelos inimigos filisteus. Enquanto para Israel a arca é sinal da presença de Deus, para os filisteus ela é sinal de desgraça. Por isso, resolvem devolvê-la.

Segunda parte (1Sm 8-15): Percebemos nesta parte a passagem do sistema das tribos para a monarquia. Há várias versões sobre o surgimento da monarquia. É importante destacar que houve os prós e os contra a monarquia. Alguns textos contra a monarquia (1Sm 8; 10,17-27). Essa visão se originou principalmente de grupos ligados às tribos de Israel (Norte) que não estavam interessados num poder central. Samuel deixa claro que é o povo que teria que assumir os gastos da manutenção da máquina estatal. Há outro grupo que é favorável à monarquia (1Sm 9,1-10,16; 11). Esse grupo está mais ligado aos grupos de criadores de gado da tribo de Benjamim (Sul) da qual pertencia Saul, primeiro rei de Israel. Os capítulos 12 a 15 apresentam as guerras de Saul contra os filisteus e os amalecitas. Apesar de ser vitorioso, o rei é alertado que não está obedecendo à vontade de Deus no exercício do poder. Samuel anuncia-lhe que será destituído e substituído por Davi. Com o reinado de Saul, inicia a mudança de regime que marca o destino do povo. O texto deixa entrever duas grandes tentações: a tentação da absolutização do poder (1Sm 13,1-15) e a tentação da cobiça (1Sm 15).

Terceira parte (1Sm 16-31): Davi começa a despontar como próximo rei de Israel. Ele não pertence à tribo de Benjamim, como Saul, mas à tribo de Judá (Sul). Ele é filho caçula de Jessé. Saul e Davi vão se aproximando e também se estranhando. Um tentando passar na frente do outro ou, mais precisamente, um tentando derrubar o outro. Esta parte começa com Samuel ungindo Davi e este se aproximando da corte. A famosa cena de Davi enfrentando o gigante Golias suscita certa inveja do rei Saul, que procura eliminá-lo e Davi tem de fugir. Mas Davi encontra apoio e defesa em Jônatas, filho de Saul. Com a fuga, Davi torna-se chefe de guerrilha. A partir do capítulo 18, temos a ascensão de Davi e o declínio de Saul. O livro termina com a morte de Saul e seus filhos (1Sm 31).

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