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Liturgia Passo a Passo

09/09/2019

As vestes sagradas

Por Luiz Miguel

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A roupa não  é simplesmente um objeto para cobrir o corpo. Ela revela algo para além de si mesma. A roupa é uma linguagem. A roupa comunica. É uma forma de informar.

Por isso, também no campo da liturgia, as vestes sagradas, conhecidas também como paramentos, vêm carregadas de significados.  Primeiramente, elas indicam que há diversidade de ministros e de funções. A Instrução Geral sobre o Missal Romano o confirma:

“Na Igreja, que é o Corpo de Cristo, nem todos os membros desempenham a mesma função. Esta diversidade de funções na celebração da Eucaristia manifesta-se exteriormente pela diversidade das vestes sagradas, que por isso devem ser um sinal da função de cada ministro”. (IGMR n. 335).

As vestes sagradas concorrem também para salientar a importância e a beleza da ação litúrgica:

“Importa que as próprias vestes sagradas contribuam também para a beleza da ação sagrada”. (IGMR n. 335)

Pela dignidade do serviço religioso em que são utilizadas, as vestes sagradas recebem a bênção conforme um rito apropriado:

“As vestes usadas pelos sacerdotes, os diáconos, bem como pelos ministros leigos são oportunamente abençoados antes que sejam destinados ao uso litúrgico, conforme o rito descrito no Ritual Romano” (IGMR n. 335).

Sobre adornos aplicados às  vestes sagradas, o Missal Romano dá o seguinte critéro:

“Os ornatos apresentem figuras ou imagens ou então símbolos que indiquem o uso sagrado, excluindo-se os que não se prestam bem a esse uso”( IGMR n. 344).

Diante dessas breves orientações, fica óbvio que as vestes usadas nas celebrações litúrgicas sejam tratadas com respeito. E o bom gosto pede que sejam limpinhas e bem cuidadas. O que vale para as vestes sagradas aplica-se a todos os objetos que estão a serviço das celebrações litúrgicas:

“A natureza e a beleza do local e de todas as alfaias alimentem a piedade dos fiéis e manifestem a santidade dos mistérios celebrados” (IGMR n. 294).

As principais vestes sagradas

› Alva ou túnica: veste longa, de cor branca, comum aos ministros ordenados e instituídos de qualquer grau.

› Cíngulo: cordão com o qual se prende a alva ao redor da cintura. Conforme o feitio da alva ou túnica, dispensa-se o uso do cíngulo.

› Amito: pano que o padre coloca ao redor do pescoço antes de revestir outros paramentos.

› Estola: veste litúrgica dos ministros ordenados. O bispo e o presbítero (isto é, padre) a colocam sobre os ombros de modo que caia pela frente em forma de duas tiras. Os diáconos usam a estola a tiracolo sobre o ombro esquerdo, pendendo-a do lado direito.

› Casula: veste própria do sacerdote que preside a celebração. Espécie de manto que se veste sobre a alva e a estola. A casula acompanha a cor litúrgica do dia.

› Dalmática: veste própria do diácono. É colocada sobre a alva e a estola. Usa-se a dalmática sobretudo nas celebrações mais solenes.

› Pluvial ou capa de asperges: capa longa que o sacerdote usa nas procissões; ao dar a bênção com o Santíssimo; ao aspergir a assembleia, e em outras ações sagradas conforme as rubricas de cada rito.

› Véu umeral ou véu de ombros: manto retangular que o sacerdote usa sobre os ombros, ao dar a bênção com o Santíssimo ou ao transportar o ostensório com o Santíssimo Sacramento.

Cores das vestes litúrgicas

Com relação à cor das vestes sagradas, reproduzimos aqui essencialmente as orientações do Missal Romano (IGMR n. 346):

→ O BRANCO simboliza a vitória, a paz, a alegria. É usado nos ofícios e missas do tempo pascal e do Natal; nas festas e memórias do Senhor, exceto as da Paixão; nas festas e memórias da Bem-aventurada Virgem Maria, dos Santos Anjos, dos Santos não mártires, na festa de Todos os Santos, São João Batista, São João Evangelista, Cátedra de São Pedro e Conversão de São Paulo.

→ O VERMELHO simboliza o fogo, o amor divino, o martírio. É usado no domingo da Paixão (Ramos) e na Sexta-feira santa; no domingo de Pentecostes, nas celebrações da Paixão do Senhor, nas festas dos Apóstolos (menos João) e Evangelistas e nas celebrações dos santos mártires.

→ O VERDE é a cor da esperança. É usado nos ofícios e missas do tempo comum.

→ O ROXO simboliza a penitência. É usado no tempo do advento e da quaresma. Usa-se também nos ofícios e missas pelos mortos.

→ O PRETO é símbolo de luto. Pode ser usado nas missas pelos mortos.

→ O ROSA simboliza a alegria. Pode ser usado no III domingo do advento e no IV domingo da quaresma.

→ Em dias mais solenes podem-se usar vestes sagradas festivas ou mais nobres, mesmo que não sejam da cor do dia.

→ Sobre o altar coloca-se uma toalha de cor branca.

Observações: Quanto ao tempo do advento, atualmente há uma tendência a se usar o violeta, em vez do roxo, para diferenciá-lo do tempo quaresmal (penitência) e acentuar a dimensão de alegre expectativa da vinda do Senhor. Nas missas pelos defuntos usa-se o roxo ou o preto. Mas tem-se usado também o branco, para se dar ênfase não ao sofrimento, mas à ressurreição.

A profundidade dos mistérios divinos e o decoro com que devem ser celebrados me parecem critérios válidos para a confecção e a escolha dos paramentos ou vestes sagradas. Por isso, o Guia Litúrgico de Pastoral (CNBB) recorda:

“Os tecidos e as fibras naturais se prestam para esta função, pois têm uma boa caída e quase sempre apresentam um aspecto de sobriedade”.

E adverte:

“Os jalecos e outras vestes que marcam as formas do corpo são menos indicados para o uso litúrgico. Além disso, são vestes usadas por outros profissionais em tarefas não litúrgicas”.

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