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Comunicação

21/08/2015

Linhas básicas da comunicação no nazismo e sua continuidade hoje

Por Jakson F. de Alencar

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Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha nazista, um dos principais associado e seguidores de Hitler, doutor pela Universidade de Heidelberg, jornalista, bancário e pregoeiro da bolsa de valores, ao assumir a comunicação do nazismo, foi uma das colunas do regime. Atribui-se a ele a famosa frase “uma mentira contada muitas vezes acaba se tornando verdade”. Na prática o nazismo e sua propaganda seguiu essa linha, mas indo ao encontro de predisposições e preconceitos que já havia nas massas. E com base em mentiras contadas muitas vezes, em muitos canais, mandaram para campos de concentração milhões de judeus, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais, negros, miscigenados, todos quantos achavam que não compunham a sua “raça pura”.

Submeteram a trabalhos forçadas, torturas e as piores crueldades, humilhações e morte em câmeras de gás ou por esgotamento físico, mental e falta de alimentação.

Na comunicação posterior, incluindo a atual, se podem identificar algumas linhas que orientavam a comunicação nazista. Por exemplo, mentiras ou distorções, ideologias, muito repetidas e marteladas por diversos meios de larga audiência por muitos dias, tomam conta da agenda de temas discutidos socialmente e ganham ares de verdade.

A seguir as leis ou linhas desse tipo de comunicação que serviu ao nazismo e que se pode observar em formatos de comunicação atuais, sejam jornalísticos, publicitários, entretenimento:

LEI DA SIMPLIFICAÇÃO E DO INIMIGO ÚNICO: Consiste em concentrar sobre uma única pessoa as esperanças ou o ódio. Reduzir a luta política, por exemplo, à rivalidade entre pessoas é substituir a difícil confrontação de teses. No caso do nazismo, os judeus e comunistas (formando uma massa uniforme) acabaram eleitos como o “inimigo único”.

LEI DA AMPLIAÇÃO E DESFIGURAÇÃO: A ampliação exagerada das notícias é um processo jornalístico empregado frequentemente pela imprensa, que coloca em evidência todas as informações favoráveis aos seus objetivos. Campos políticos e ideologias e oculta as desfavoráveis.

LEI DA ORQUESTRAÇÃO: A primeira condição para uma boa propaganda é a infatigável repetição dos temas principais. Adolf Hitler, em seu Mein Kampf, escreveu que a propaganda deve limitar-se a pequeno número de ideias e repeti-las incansavelmente. “As massas não se lembrarão das ideias mais simples a menos que sejam repetidas centenas de vezes“, escreveu Hitler. “As alterações nelas introduzidas não devem jamais prejudicar o fundo dos ensinamentos a cuja difusão nos propomos, mas apenas a forma. A palavra de ordem deve ser apresentada sob diferentes aspectos, embora sempre figurando, condensada, numa fórmula invariável, à maneira de conclusão”.

LEI DA TRANSFUSÃO: A propaganda não se faz do nada e se impõe às massas. Ela sempre age, em geral, sobre um substrato preexistente, seja uma mitologia nacional, seja o simples complexo de ódios e de preconceitos tradicionais.

LEI DA UNANIMIDADE: Baseia-se no fato de que inúmeras opiniões não passam, na realidade, de uma soma de conformismo, e se mantêm apenas por ter o indivíduo a impressão de que a sua opinião é igual à dos outros em seu meio social. A propaganda reforça essa unanimidade conformista ou mesmo a cria artificialmente.

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