Colunistas

Comunicação

13/10/2016

Estereotipização do diferente nas mídias

Por Jakson F. de Alencar

Indicar a um amigo:





Acreditava-se que, com mais informação, mais janelas abertas ao mundo, mais imagens do “outro”, haveria redução dos estereótipos e dos preconceitos em proveito de mais tolerância, mas, por enquanto, isso não ocorreu. O mundo mais interligado por meios atuais de comunicação não significou até agora a emergência de um mundo mais tolerante, o que se observa, por exemplo, em surtos de racismo e de xenofobia em estádios de futebol em países sem história anterior de racismo.

O diferente, antes menos visível, está atualmente onipresente por meio das mídias e das viagens, mas essa visibilidade não cria forçosamente mais compreensão. Quanto mais visibilidade há, mais as diferenças são também visíveis e o outro permanece tão misterioso, exotizado, ou estereotipado quanto antes, o que acontece até mesmo no interior dos próprios países, tanto mais em relação a países diferentes.

Os imigrantes são alvos de muitos estereótipos, atualmente isso se manifesta sobretudo na Europa e EUA, mas também em diversos outros lugares, inclusive, entre regiões internas de muitos países, como é o caso do Brasil. Os países mais ricos economicamente, sobretudo os EUA, donos das principais indústrias culturais do mundo, conforme, paradoxalmente pregam ao mesmo tempo a desregulamentação e o livre comércio para vender seus produtos, difundem informação que “diaboliza” e caricatura sistematicamente seus “inimigos”; fecham seus países às outras partes do mundo, especialmente às mais pobres, sob o pretexto da luta contra o terrorismo.

Os imigrantes e refugiados estigmatizados e rejeitados são a demonstração mais evidente de que, a despeito do discurso sobre a abertura, existem sempre duas categorias de cidadãos: os nacionais e os outros, com a permanência e até criação e intensificação de estereótipos, preconceitos, xenofobia e fronteiras.

A globalização, que era imaginada apenas como um potente acelerador de homogeneização, está mostrando-se também como um potente acelerador de contradição. A chamada “globalização das técnicas” não aproxima forçosamente os pontos de vista diferentes, ao contrário, ela torna muitas vezes menos suportáveis as diferenças culturais, o que é muito visível na explosão das expressões de ódio e de intolerância que acontece em larga escala na internet.

nenhum comentário