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Comunicação

17/08/2016

A desinformação nas redes sociais

Por Jakson F. de Alencar

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Vivemos em um tempo de florescimento constante de novas tecnologias da comunicação. As pessoas julgam que estão super informadas e diversos autores já descreveram o tempo atual como a “era da informação”. Entretanto, há também uma visível deterioração daquilo que podemos chamar “informação socialmente necessária” ou substanciosa sobre o mundo e a realidade social.

A maior parte do tempo nos meios de comunicação e do seu uso pelas pessoas é ocupada pelo entretenimento leve. Embora as novas mídias tenham possibilitado mais diversidade de informações circulando, na visão de Umberto Eco, as redes digitais amplificam as vozes de uma “legião de imbecis” que, antes destas plataformas, apenas falavam nos bares, depois de uma taça de bebida, sem prejudicar a coletividade. “Normalmente, eles eram imediatamente calados, mas agora têm o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel”.

O próprio presidente de uma das chamadas mídias sociais mais populares, Mark Zuckerbeg, do Facebook, atestou isso de maneira cabal em recente entrevista coletiva. Questionado por um dos jornalistas sobre os critérios dos algoritmos que decidem as notícias exibidas a cada usuário, ele respondeu que “um esquilo no seu jardim pode ser mais relevante para seus interesses atuais do que gente morrendo na África” (Carta Capital, n. 848, 06.05.2015, p. 38-41). Ou seja, na visão dele, o público não quer saber de problemas alheios, ainda mais se distantes, e sim de seus gostos e decisões cotidianas. Geralmente, textos e vídeos longos, principalmente se exigem algum esforço ou causam algum desconforto ao leitor, têm menos chance de aparecer nas páginas pessoais dessas redes do que fofocas sobre celebridades, informações superficiais, enganosas e engraçadas, fotos de gatinhos, da refeição feita naquele dia, do passeio, dicas de consumo.

O surgimento acelerado de novas tecnologias de comunicação não tornou obsoletas afirmações de Paulo Freire em diversos de seus escritos em que aponta o “mutismo” e a “cultura do silêncio” dos oprimidos, impedidos de ter voz, mergulhados na submissão pelo silêncio.

Segundo Dominique Wolton, essa fragilidade da comunicação no mundo de hoje acontece porque a comunicação é promovida como valor mercantil e de poder pela “ideologia da técnica”, mas insuficientemente como valor humanístico e democrático em seu sentido etimológico de pôr em comum (Paulus, 2006, p. 171).

Ele acredita que daqui a alguns anos se constatará que a internet foi o apogeu e depois a frustração da ideologia da técnica. Apogeu porque a partir de 1995 “não se falava de outra coisa senão da ‘revolução da internet’”. Tudo o que não foi resolvido pelas chamadas “autoestradas” da informação dos anos 1980 e 1990 se imaginava que seria pela internet, que, com suas redes e teias, instalaria a economia e a sociedade da informação, preencheria o fosso entre Norte e Sul do mundo, subverteria os regimes autoritários, regeneraria as democracias e formaria um novo ser humano. A frustração começou com a derrocada da onda especulativa entre 2000 e 2002 e com a posterior ilusão da chamada “primavera árabe”, depois transformada em “inverno árabe”.

Também no Brasil, as manifestações de junho de 2013, que segundo diziam “acordou o Gigante”, acabou desembocando em um governo ilegítimo e de retirada de direitos sociais. Essas constatações não simplesmente podem ser vistas como fator de desânimo, mas alertam para que nãos e esqueça que as técnicas, sem orientação ética, sem humanismo e sem organização social, não fazem por si um mundo melhor e mais justo, nem muito menos o paraíso tecnológico e informacional.

3 comentários

19/8/2016

Nezite Alencar

Esse hipotético "paraíso informacional" está muito longe de ser alcançado nas redes sociais, frequentadas , na grande maioria,por usuários que têm preguiça de pensar; as postagens inteligentes, muito mais do que imaginamos, são "puladas "sem ler ou lidas superficialmente, porque pensar, para essa legião de marias-vão-com -as- outras, causa realmente desconforto, dar trabalho.

19/8/2016

Nezite Alencar

Infelizmente, estamos diante de uma legião de usuários que tem preguiça de pensar; assim, muito mais do que podemos supor, as postagens inteligentes são "puladas' sem ler ou lidas superficialmente; assim esse hipotético "paraíso informacional " fica difícil de ser alcançado.

5/9/2016

Valquiria Worst

Diate das redes sociais, no meu aparente anonimato, me autorizo a colocar a publico o que me vem a mente. Nem penso, nem julgo, apenas externalizo uma primeira emoção. E quanto mal faz isso. Se o coração estivesse habitado pelo bem querer, pelo amor, seria isto que viria a tona. Bem que se dizia: "A boca fala do que o coração está cheio." Há que usar as "tres peneiras."