Colunistas

Música na Igreja

22/11/2016

Vale a pena gravar um CD Católico?

Por Jake Trevisan

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Muitos de nós, envolvidos com a música católica (cantores, compositores, instrumentistas…), nos perguntamos se vale a pena registrar nossas inspirações e produzir um CD. Vamos, ao longo do tempo, acumulando folhas ou arquivos de obras e nem sabemos selecionar as melhores, ou mesmo se estão em condições de serem gravadas, por sua qualidade melódica ou poética. Mas lá no fundo do peito grita aquela vontade de adornar e disponibilizar ao público essas canções, para que possam enfim cumprir sua missão na evangelização.

É quando nos esbarramos nos processos de produção de um álbum que, além de minuciosa, é cara: escolha de repertório, revisão dos textos, pré-produção, gravações instrumentais e vocais, mixagem, masterização, capa e prensagem… Ufa… Muitas etapas, não é? Um processo que pode levar de três meses a um ano, ou até mais.

A produção de um disco, com exceção de parte gráfica e prensagem, custa aproximadamente 30 mil reais, no mínimo. Pode ser feito com recursos “caseiros” por menos, porém isso pode comprometer a qualidade do produto em algumas etapas do processo.

Devido à falta de recursos, temos visto muitos trabalhos amadores no segmento católico, o que coloca em risco a credibilidade do nosso segmento musical inteiro.

Então nos perguntamos: Vale a pena fazer esse investimento?

Apesar de ser um cartão de visita para o cantor ou ministério de música, e tornar concreta e real uma inspiração, estamos na fase transacional do formato musical. Neste momento, a maioria das pessoas não compram CDs, mas baixam suas músicas no YouTube ou as escutam nas rádios digitais. Isso já é um sinal de alto risco de encalharmos nossos CDs, mesmo que seu preço de venda seja baixo, pois até mesmo o toca-CDs está sendo abolido dos automóveis e residências. Mas suponhamos que você tenha recursos e mesmo assim deseje gravar um CD: observe que a igreja não tem ferramentas de circulação e distribuição de CDs e produtos religiosos nas comunidades e paróquias, o que torna muito difícil a venda do produto.

Por estarmos numa fase de crise financeira e difícil capitalização, penso que, como evangelizadores, precisamos ser inteligentes, customizando o que temos em mãos e utilizando ferramentas mais econômicas para disponibilizar nosso material evangelizador, até porque, investindo no CD, não sabemos quando vamos repor o montante investido.

Nossa grande aliada é a internet.

Uma dica é disponibilizarmos com regularidade músicas, vídeos, clipes, video-lyrics, testemunhos, Salmos ou até mesmo pregações em plataformas como o YouTube. As mesmas músicas do CD podem ser disponibilizadas gradativamente em seu canal. Utilizar as redes sociais com mais profissionalismo e constância, e ir aos poucos fazendo o estudo do nosso público (o que querem ouvir, do que gostam mais), também é muito importante.

Invista no CD quando de fato houver recurso para isso e, principalmente, quando houver um planejamento de distribuição e promoção do produto (divulgação).

O que estamos vivendo no segmente católico é exatamente o que os artistas seculares e evangélicos estão vivendo: todos tentam se encontrar em meio às mudanças tecnológicas e novos comportamentos do público consumidor.

Peçamos a ajuda de profissionais e, principalmente, a ajuda de Deus para nos inspirar estratégias certeiras, para que a nossa arte chegue a muitos e muitos corações.

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