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Música na Igreja

19/09/2016

A música católica pede passagem

Por Jake Trevisan

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Se estamos pedindo passagem, é porque estamos em movimento contínuo e sabemos aonde queremos chegar. Temos o objetivo bem definido de chegar ao coração de milhões e milhões de pessoas que ainda não sentiram o Amor infinito do Senhor Jesus. Somos milhares de cantores, compositores, produtores musicais, instrumentistas que fazem da canção sacra uma ferramenta viva, que tem o poder de seduzir e conquistar corações para Cristo; é para isso que temos trabalhado.

Temos visto um significativo avanço na música evangelizadora católica, principalmente a partir da rica atuação de Padre Zezinho e a de centenas de artistas em atuação solo e ministérios de música que surgiram de quarenta anos para cá, entre os quais o grande fenômeno gerado por Padre Marcelo Rossi, com músicas que atraem o povo à participação com alegria. Ouvindo os apelos da Reforma Litúrgica, como aquele pela enculturação, a Igreja no Brasil desfruta hoje de belíssimas obras musicais, tanto para a Liturgia quanto para a Nova Evangelização.

Mas a pergunta que não quer calar é: Nossas músicas são cantadas pelo povo na Igreja?

Esta é exatamente a maior dificuldade que ainda enfrentamos: ampliar nosso poder de alcance na Igreja; fazer nossa canção impactar a sociedade, os católicos praticantes e não praticantes, com esse movimento musical.

Em outras palavras, queremos ser reconhecidos como um segmento musical, assim como a música gospel, o jazz, o pagode etc. Percebemos que ainda não existe para nós um lugar ao sol; não somos reconhecidos como um movimento, como um estilo de vida que adere aos valores cristãos e à Igreja católica. Normalmente somos inseridos no segmento da música gospel; porém, tendo esta nascido no seio da Igreja protestante, não temos uma total pertença a essa denominação.

E por que isso acontece?

Apesar de a arte sacra católica ser muito mais antiga que a arte gospel, sofremos um atraso muito grande na Igreja católica em aproximar a fé do povo, através da canção. Deixamos de investir na arte sacra e nos permitimos viver nos dias de hoje o amadorismo e a falta de planejamento na evangelização através da música. Não há um sistema integrado de distribuição e disseminação de nossos discos e músicas na Igreja.

Consequentemente, nossos artistas não são conhecidos pela Igreja em geral. O que normalmente as pessoas conhecem são os padres que cantam; porém, o padre tem um ministério específico, que não é fundamentalmente a arte. Os padres são pastores, condutores das ovelhas. As produtoras, gravadoras e editoras não possuem articulação para emplacar nossas canções nas paróquias, de maneira unificada. Percebemos até mesmo a falta de valorização e apoio das lideranças em relação aos ministérios de música nas paróquias.

A partir do suporte dado aos ministérios paroquiais (formação, estrutura, acompanhamento), surgem talentos e riquezas que alimentam a Igreja. É preciso acreditar na obra evangelizadora. É preciso recorrer a profissionais que de fato entendam de produção e lançamentos, que analisem o mercado e a Igreja e nos posicionem na cena musical. As velhas ferramentas do passado já não surtem efeito; precisamos aderir às novas tecnologias e processos para evangelizar.

Queremos que nossa música seja aderida pela Igreja. Queremos ver nossas celebrações sendo enredadas por nossas obras e o povo cantando em massa. Queremos que a sociedade nos reconheça como um movimento musical.

Queremos que nossa canção enobreça e embeleze a Casa de Deus, trazendo muitos e muitos a partilhar e a testemunhar o grande mistério de Cristo celebrado no altar.

A música católica pede passagem!

 

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