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Filosofia

21/09/2016

Filosofia, uma palavra que merece ex-plica-ção

Por Edson Pedroso

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Ao introduzir um grupo de pessoas no universo filosófico, sejam elas alunos, colegas ou curiosos, utilizamos como primeiro recurso explicar a origem da palavra ‘filosofia’, sua etimologia. É o primeiro degrau de uma escada que pode ser de um porão onde se encontra os alicerces da casa, como também pode ser uma escada que leva a cobertura, por onde se avista um horizonte para caminhar.

Esta diferença de perspectiva ou método, não altera a fonte da especulação e interesse. Inclusive é possível percorrer ambas trilhas do conhecimento ora concentrados por entender o aspecto único do ‘objeto’, sua essência; ora focados por vislumbrar relações do objeto com seu entorno, sua existência.

De todo modo, o que realmente chama atenção é o fato da necessidade do ato de EXPLICAR. Explicar é uma palavra de matriz latina oriunda do verbo plicare, que significa dobrar. Plicatrix eram as pessoas que em Roma trabalhavam dobrando vestidos. Haja vista que a preposição latina ex, passa a ideia de abrir ou desenrolar, o Professor Cortela (Mario Sérgio), em uma entrevista, lançou a seguinte pérola:

Quem dobra com-plica.

Quem dobra duas vezes, re-plica.

Quem desdobra, ex-plica.

A filosofia aparece como uma explicação do mundo, uma explicação das coisas que nos cercam de sentido. Desde que nascemos, somos povoados de presença, estímulos, objetos, ou seja, uma totalidade de sentido oferecida pelas pessoas que nos cercam, sua cultura, seu modo de exprimir-se, seus sonhos.

Enrique Dussel fala que ‘nascer entre os pigmeus da África ou num bairro da 5ª avenida de Nova Iorque é nascer da mesma forma. Porém, aquele que nasceu entre os pigmeus terá o projeto de ser um grande caçador de animais; aquele que nasceu em Nova Iorque, forjará o projeto de ser um grande banqueiro, um caçador de homens’.

Por isso, dizer mundo ou explicar o mundo, também é enunciar um projeto futuro, a partir de um espaço físico, político e cultural. Desdobrar o mundo, desenrolar o tecido cultural ou, a lá Heidegger, ‘des-velar’ o fundamento das coisas para alguém, é dizer em que acredita, é im-plicar-se, é dobrar-se sobre seus próprios projetos, expectativas e experiências.

Ou seja, não há filosofia desprovida de intenção!… como não há explicação carente de projeção…

3 comentários

21/9/2016

Fabricia Reis

Ótima reflexão! Comprometer-se com algo nesse mundo tão cheio de opiniões diversas, realmente é contar parte de suas crenças e de sua essência. Parabéns pelo texto. Gostoso de ler e recheado de conteúdo. Vou compartilhar. Vamos aguardar os próximos.

28/9/2016

Sidnei dos Santos de Oliveira

E assim abre-se um novo caminho para aqueles que desejam por meio do estudo da Filosofia, encontrar algumas respostas e possíveis rumos dentro da diversidade que encontramos nos dias de hoje, onde algumas ajudam o "Ser" a crescer e outras o levam aos porões. Parabéns pela reflexão .

11/10/2016

SANDRA REGINA MARTINS PERES

Os questionamentos devem fazer parte da vida independente de cor, raça, classe social ou religiosa. Vivemos num mundo onde as pessoas compram formulas de viver, de ser e de estar. "Viver" o hoje sem compromisso com o amanhã, "ser" baseando-se nas poses materiais e "estar" inserindo se na cultura do modismo. Ao olharmos com carinho para a filosofia e textos assim, descobriremos que podemos ter flores enfeitando nossos porões e coragem para subir a escada rumo a novos horizontes. Parabéns Edson, muito bom.