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Religião e Comunicação

01/10/2019

Todos somos missionários

Por Darlei Zanon

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Outubro é o mês missionário, especialmente neste ano em que o Papa proclamou outubro como “Mês Missionário Extraordinário” para celebrar o centenário da carta Apostólica Maximum Illud de seu predecessor o Papa Bento XV. No domingo 20, XXIX do Tempo Comum, celebraremos o Dia Mundial das Missões, mas já a inaugurar este mês, no dia 1º, celebramos a memória de Santa Teresa, padroeira das missões. De um modo ou de outro, toda a liturgia de outubro nos convida a dedicar uma atenção especial para esta realidade imprescindível da Igreja. Por isso o Papa nos propõe rezar nesta mesma intenção: “para que o sopro do Espírito Santo suscite uma nova primavera missionária na Igreja”.

Etimologicamente a palavra “missão” significa “enviar”. Neste sentido toda a Igreja é missionária, porque é enviada “a todas as nações” para “ensinar e batizar”, a proclamar “o evangelho a toda criatura” (cf. Mc 16,15). Todos os cristãos são enviados a “ensinar a observar tudo o que Jesus mandou” (cf. Mt 28,19ss). Toda a Igreja – portanto todos os batizados – é peregrina, testemunha, profética, sal e luz do mundo… Este foi o mandato de Jesus que devemos seguir.

De fato, desde os primeiros tempos os seus discípulos e discípulas foram pelo mundo a anunciar o Evangelho, convertendo e ensinando todos os povos. Alguns teólogos afirmam que a missão é a razão principal da existência da comunidade de fé. Toda a vida da comunidade, tudo o que se faz na comunidade, é feito em função da missão. Por isso todos os projetos e objetivos da ação da Igreja devem ter em atenção a missão.

Obviamente cada período histórico compreendeu e viveu de modo diverso este empenho missionário. Os apóstolos foram os primeiros a sair pelo mundo, levando consigo uma grande novidade. Tão nova que em muitos lugares não foi compreendida e por isso muitos foram perseguidos e martirizados (e ainda hoje tantos cristãos continuam sendo perseguidos e martirizados). Paulo seguiu o exemplo, levando o evangelho de Cristo pessoalmente e através das suas cartas por quase todo o mundo conhecido na época. Ao longo do tempo novas formas de missões foram surgindo, com o testemunho dos monges, por exemplo, ou no período das grandes navegações com os frades que se moviam pelas novas terras a fim de batizar e ensinar todos os povos. O exemplo de São Francisco Xavier e de São José de Anchieta são muito conhecidos, mas foram tantos os missionários, principalmente jesuítas, dominicanos e franciscanos, que se aventuraram pelo mundo em nome da fé.

Mas hoje, como podemos viver também nós a dimensão missionária da Igreja? Num período em que vemos tanta intolerância e perseguição religiosa, como ser missionário? São tantos os modos. E não é preciso viajar para terras distantes. Claro que esta continua sendo uma opção, e tantos cristãos continuam a mover-se pelos cinco continentes para difundir a fé e o evangelho. Entretanto a Igreja nos dá outros modelos de missão que podem nos iluminar a sermos melhores “enviados”, melhores “testemunhas”, no nosso quotidiano. Santa Teresinha do Menino Jesus foi proclamada padroeira das missões e dos missionários sem nunca ter saído do seu País. Monja carmelitana de clausura desde os 16 anos, o Papa Pio XI escolheu-a pela dimensão missionária com que viveu a vida contemplativa. Ela é modelo de missionária da oração, do sofrimento e do amor, sempre em sintonia com a Igreja universal. Teresinha praticava de modo exemplar também a caridade, a simplicidade evangélica e a confiança em Deus. Em todos estes aspectos podemos nos inspirar para levarmos uma vida missionária na nossa própria comunidade, na nossa família, no nosso dia-a-dia.

A “nova primavera missionária” que o Papa Francisco deseja passa por este caminho. Se cada um de nós viver mais intensamente a fé, num profundo senso missionário, como enviados por Jesus a transformar o mundo, certamente as nossas comunidades serão mais vivas e atrativas. E se as comunidades e paróquias forem mais dinâmicas, certamente as vocações surgirão. Que cada uma das nossas comunidades possa ser verdadeiramente um jardim de alegria e beleza para a vivência e o testemunho da fé, pois só cuidando bem do jardim poderemos sentir e confirmar a chegada da “primavera”.

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