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Religião e Comunicação

01/05/2019

Sinal de unidade e esperança

Por Darlei Zanon

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Maio é o mês mariano por excelência. A nossa atenção está voltada sobretudo para Nossa Senhora, sinal de acolhida, de encontro, de fé e de amor. Entretanto neste mês de Maria o Papa Francisco também nos convida a direcionar parte da nossa atenção e oração para a África e a todos os católicos que ali vivem. Ele nos pede para rezar “para que, através do empenho dos próprios membros, a Igreja em África seja fermento de unidade entre os povos, sinal de esperança para este continente”.

A mãe África, como também é carinhosamente conhecida, é o continente onde os cristãos mais crescem. Na última década viu um aumento de quase 20% no número de católicos. São numerosas também as vocações sacerdotais e religiosas, sendo de grande ajuda especialmente para o “velho continente”, que recebe todos os anos novos missionários vindos de terras africanas. Vemos um movimento inverso daquele que caracterizou historicamente a missão da Igreja. Hoje são muitos os sacerdotes e as consagradas africanas que vão para a Europa a fim de animar paróquias e obras. São os religiosas africanos que dão continuidade a muitos projetos, revitalizando algumas comunidades, acompanhando imigrantes, conduzindo obras históricas, etc.

Apesar deste crescimento exponencial do número de católicos e de consagrados, a África ainda necessita muito da ajuda estrangeira. Em primeiro lugar economicamente, financiando iniciativas e missões mais carentes. Mas sobretudo para transmitir experiência e a Tradição. A Igreja africana é uma Igreja jovem. Como tal, está cheia de vigor e de energia, mas precisa ser orientada. Como todo jovem, precisa ser educada, guiada… precisa de um “ancião” que ajude a vislumbrar o caminho a seguir, ajude a ver mais longe. Um ancião que possa ajudar na organização, na transmissão do saber, da tradição.

Nos últimos anos tive a oportunidade de visitar a África diversas vezes, sobretudo a RD Congo e a Nigéria, os dois maiores países católicos daquele continente. E de fato ali sentimos a falta da experiência, de uma Igreja consistente, com bases sólidas. São muitos os projetos e iniciativas levados adiante por diversas instituições católicas e congregações religiosas, mas muitas vezes estes projetos não tem continuidade. O jovem clero africano é carente de uma formação mais consistente, que dê os alicerces suficientes para ajudá-los a caminhar com seriedade e firmeza, que lhes dê a força para enfrentar as dificuldades sociais e políticas, unindo o povo e promovendo o desenvolvimento.

A Igreja africana tem muita vontade de crescer e se solidificar, mas para tal precisa aprender a ser “fermento de unidade e sinal de esperança”, como pede o Papa. A Igreja africana precisa aprender a ser também profética, trabalhando na conscientização e na promoção humana. Aprender a ser autónoma numa evangelização que promova o ser humano, a transformação social, o desenvolvimento e a libertação, conforme nos recorda o Papa Francisco na Evangelii gaudium e já nos dizia o Papa Paulo VI na Evangelii Nuntiandi (n. 31).

Vale a pena também mencionar a dificuldade de viver uma fé “madura”, no sentido de não se ater somente ao devocionismo e à superficialidade dos ritos. A Igreja africana é criativa e alegre, com celebrações muito vivas e animadas. Mas isso não pode ser apenas um sinal esterno. A fé deve ser sentida no íntimo de cada católico. Ainda é um problema sério entre muitos cristãos africanos a influência das religiões tradicionais e indígenas, muitas vezes repletas de superstições. O sincretismo e o diálogo interreligioso são muito importantes, mas devem ser conduzidos com prudência e serenidade. Não podem se tornar uma fuga nos momentos em que a fé católica exige comprometimento e empenho pessoal. Nem devem atrapalhar uma vivência plena e profunda da doutrina cristã, rica de tradição litúrgica, mas também de teologia e de doutrina social. Somente quando vivida profundamente e na sua completude a fé cristã será verdadeiro sinal de unidade e esperança para todo o continente e todos os povos africanos. Rezemos nesta intenção!

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