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01/08/2019

A importância da família

Por Darlei Zanon

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Agosto, mês dos pais e das vocações, é um tempo propício para estar em família. Provavelmente por isso o Papa nos convida a rezar, durante este mês, pela família. Mais especificamente: “Para que as famílias, graças a uma vida de oração e de amor, se tornem cada vez mais ‘laboratórios de humanização’.”

Ao mesmo tempo em que convida as famílias a estarem unidas em oração, com esta intenção o Papa nos recorda a importância e a função da família. Em diversos momentos Francisco nos falou sobre a centralidade da família na vida de fé. Ele escreveu inclusive uma exortação apostólica sobre a família, a Amoris laetitia, leitura obrigatória para todos os cristãos, pela densidade do seu conteúdo e pela beleza dos ensinamentos que nos ajudam a responder aos desafios da sociedade atual.

Em uma recente visita a Loreto, na Itália, para assinar a sua nova exortação apostólica, desta vez sobre os jovens (Christus vivit), o Papa voltou a insistir na importância da família. Assim afirmou: “Na delicada situação do mundo contemporâneo, a família fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher assume uma importância e uma missão essenciais. É preciso voltar a descobrir o desígnio traçado por Deus para a família, a fim de reiterar a sua grandeza e insubstituibilidade, ao serviço da vida e da sociedade.

Diante da “crise da família” vivida atualmente, o Papa nos apresenta a família de Nazaré como modelo. A família cristã deve se inspirar em Jesus, Maria e José para ser no mundo sinal de alegria e transformação. “Na casa de Nazaré, Maria viveu a multiplicidade dos relacionamentos familiares como filha, noiva, esposa e mãe. Por isso cada família, nos seus vários componentes, encontra aqui o acolhimento e a inspiração a viver a própria identidade”, afirmou o Papa em Loreto (25 de março de 2019).

A família é sem sombra de dúvidas o maior “tesouro da humanidade”. Tesouro que precisa entretanto ser cuidado, protegido, defendido contra os constantes ataques que recebe da sociedade atual. As escolhas ideológicas, políticas e económicas não podem pôr em risco a família. Ao contrário, devem protegê-la e valorizá-la, na certeza de que “o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja” (Amoris laetitia, n. 31).

A realização de um Sínodo dos bispos para tratar exatamente sobre a vocação e a missão da família, em duas sessões (2014 e 2015), seguido da publicação de uma exortação apostólica, é sinal de que a Igreja se preocupa muito com a tal “crise da família” e quer dar respostas a esta questão pois retém que a família é fundamental, é dom de Deus, é igreja doméstica, a primeira e fundamental «escola de humanidade» (cf. Gaudium et spes, 52), como tem constantemente ressaltado a Igreja e como o Papa nos recorda na intenção deste mês.

A família em si não está em perigo ou risco de desaparecer, mas a sua forma tradicional e possivelmente uma série de valores e princípios a ela relacionada de fato estão em risco. São tantas questões que questionam o modelo tradicional de família, mas a Igreja, no entanto, tem um papel fundamental nessa “reconfiguração”, uma vez que este é também o seu núcleo base. A família sempre foi uma prioridade na Igreja e a sua experiência e sensibilidade nesse campo podem contribuir muito.

Por isso somos convidados pelo Papa “a uma vida de oração e de amor”. Uma família construída sobre estes dois pilares é como a casa sobre a rocha. Pode vir a chuva, as torrentes, os ventos mais fortes contra a casa-família (cf. Mt 7,21-29), se ela tem como alicerce a oração e o amor será indestrutível, resistirá a qualquer intempérie e a qualquer “crise”.

“Oração e amor” é a receita que o Papa nos dá para edificar a nossa família. Que cada um de nós, especialmente durante este mês, peça a Deus que abençoe a sua família e as família do mundo, rezando contra todos os perigos que a ameaçam. Mas, principalmente, que cada um de nós busque no dia-a-dia valorizar e unir a própria família, aproveitando cada ocasião para ver nela a presença e a ação de Deus.

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