{"id":8641,"date":"2024-06-14T10:34:49","date_gmt":"2024-06-14T13:34:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/?post_type=conteudos&#038;p=8641"},"modified":"2024-06-14T10:36:41","modified_gmt":"2024-06-14T13:36:41","slug":"bem-viver-e-utopia-uma-critica-radical-da-realidade","status":"publish","type":"conteudos","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/conteudos\/bem-viver-e-utopia-uma-critica-radical-da-realidade\/","title":{"rendered":"Bem viver e utopia: uma cr\u00edtica radical da realidade"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1500-140624fundo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"379\" src=\"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1500-140624fundo-1024x379.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8642\" srcset=\"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1500-140624fundo-1024x379.jpg 1024w, https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1500-140624fundo-300x111.jpg 300w, https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1500-140624fundo-768x284.jpg 768w, https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/1500-140624fundo.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Fernanda Andrade Garcia<\/p>\n\n\n\n<p>No atual contexto de nossa sociedade, refletir sobre a no\u00e7\u00e3o de <em>Bem Viver<\/em> \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil, quase imposs\u00edvel. Diferentemente de no\u00e7\u00f5es mais comumente utilizadas, como \u201cviver melhor\u201d ou \u201cviver bem\u201d, o <em>Bem Viver<\/em> parece estar associado a uma proposta de mudan\u00e7a radical das formas de vida. Em seu livro, <em>O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos<\/em>, Alberto Acosta (2014, p. 23) define o <em>Bem Viver<\/em>, ou <em>sumak kawsay <\/em>(k\u00edchwa), <em>suma qama\u00f1a <\/em>(aymara), e, ainda, <em>nhande- reko <\/em>(guarani), como \u201cuma oportunidade para construir coletivamente uma nova forma de vida\u201d. Para o autor (2014, p. 70), o <em>Bem Viver<\/em> \u00e9 um elemento que comp\u00f5e a hist\u00f3ria das lutas populares, principalmente dos grupos ind\u00edgenas. \u201cS\u00e3o propostas invisibilizadas por muito tempo, que agora convidam a romper radicalmente com conceitos assumidos como indiscut\u00edveis. [&#8230;] \u00c9 disso que se trata o Bem Viver\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Proponho pensarmos a no\u00e7\u00e3o de <em>Bem Viver<\/em> a partir de dois eixos principais: a radicalidade e a imagina\u00e7\u00e3o. Aqui, a palavra \u201cradical\u201d tem um sentido diferente daquele que costumamos usar em nosso cotidiano. Nesse contexto, ela est\u00e1 relacionada com uma mudan\u00e7a qualitativa e profunda da sociedade; a radicalidade diria respeito ao entendimento da raiz do problema que buscamos resolver.<\/p>\n\n\n\n<p>Para pegar emprestado algumas palavras de Herbert Marcuse, fil\u00f3sofo que dedicou sua vida ao estudo dos limites e possibilidades de uma mudan\u00e7a radical na sociedade capitalista, mudan\u00e7a radical quer dizer mudan\u00e7a das necessidades humanas, daquilo que desejamos, que sonhamos, que imaginamos. Mudan\u00e7a radical quer dizer tamb\u00e9m, pensar nas possibilidades de uma sociedade sem viol\u00eancia, sem explora\u00e7\u00e3o, \u201ca possibilidade de uma sociedade sem destrui\u00e7\u00e3o da natureza, onde o sil\u00eancio e a beleza se tornem necessidades determinantes\u201d (Marcuse, 1999, p. 110-111). Portanto, essa radicalidade implica n\u00e3o somente uma mudan\u00e7a das bases materiais da sociedade, mas tamb\u00e9m da maneira como nos relacionamos com esse mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a no\u00e7\u00e3o de radicalidade, de Marcuse, como a no\u00e7\u00e3o de <em>Bem Viver<\/em>, de Acosta, sugerem uma reconcilia\u00e7\u00e3o do homem com a natureza, seja no \u00e2mbito da subjetividade humana, seja no \u00e2mbito do mundo f\u00edsico. Ora, quando associamos essas duas no\u00e7\u00f5es parece que adentramos num campo cada vez mais on\u00edrico e ut\u00f3pico.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 com essa ideia de utopia em mente que devemos pensar o nosso pr\u00f3ximo eixo: a imagina\u00e7\u00e3o. Todos os conceitos apresentados neste texto podem parecer ao leitor uma viagem ut\u00f3pica, isto \u00e9, um del\u00edrio, um sonho imposs\u00edvel e impalp\u00e1vel. Segundo Acosta (2019, p.69), \u201cO Bem viver \u00e9, por um lado, um caminho que deve ser imaginado para ser constru\u00eddo, mas que, por outro, j\u00e1 \u00e9 realidade\u201d. Como algo pode ser, ao mesmo tempo, realidade e imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o exposta acima \u00e9 entre aquilo que \u00e9 e aquilo que pode ser. Na tens\u00e3o entre a realidade atualmente estabelecida e a possibilidade de uma nova forma de vida podemos encontrar m\u00e9todos de recusar aquilo que impede a mudan\u00e7a; recusar a explora\u00e7\u00e3o do ser humano e da natureza, recusar as condi\u00e7\u00f5es de vida que nos limitam e nos fazem sonhar apenas com o \u201cviver um pouco melhor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, podemos nos perguntar: quais s\u00e3o os entraves para o <em>Bem Viver<\/em>? O que tem impedido essa mudan\u00e7a? Evidentemente, n\u00e3o pretendo responder a essas perguntas, uma vez que n\u00e3o s\u00e3o perguntas f\u00e1ceis de serem respondidas. Por\u00e9m, elas apontam para uma profunda conex\u00e3o entre o pensamento ut\u00f3pico e a transforma\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o contraste entre o que \u00e9 e o que pode ser nos causa um determinado estranhamento, passamos a reconhecer a necessidade de emancipa\u00e7\u00e3o e nos colocamos em um movimento de recusa, de den\u00fancia e de protesto da realidade atualmente estabelecida. Talvez, pensar o <em>Bem Viver<\/em>, pensar uma mudan\u00e7a radical em dire\u00e7\u00e3o a uma nova forma de vida, seja um convite para uma certa atitude: a atitude de manter e ampliar cotidianamente uma esperan\u00e7a cr\u00edtica que nos mova rumo a uma mudan\u00e7a radical.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Formadora da PAULUS Social, doutoranda em Servi\u00e7o Social pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7o Social da Unesp\/Franca &#8211; SP. Possui gradua\u00e7\u00e3o e mestrado em Servi\u00e7o Social pela Unesp\/Franca.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ACOSTA, A. <strong>O bem viver<\/strong>: uma oportunidade para se imaginar outros mundos. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCUSE, H. Pela frente \u00fanica das esquerdas. <em>In <\/em>LOUREIRO, Isabel Maria (org.). <strong>Herbert Marcuse<\/strong>: a grande recusa hoje. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1999.<\/p>\n","protected":false},"template":"","tags":[],"categoria_do_conteudo":[225],"class_list":["post-8641","conteudos","type-conteudos","status-publish","hentry","categoria_do_conteudo-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/8641","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/types\/conteudos"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8641"},{"taxonomy":"categoria_do_conteudo","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/categoria_do_conteudo?post=8641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}