{"id":7307,"date":"2022-12-09T09:46:31","date_gmt":"2022-12-09T12:46:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/?post_type=conteudos&#038;p=7307"},"modified":"2022-12-26T13:50:32","modified_gmt":"2022-12-26T16:50:32","slug":"convivencia-a-distancia-as-adaptacoes-do-atendimento-na-assistencia-social-durante-o-distanciamento","status":"publish","type":"conteudos","link":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/conteudos\/convivencia-a-distancia-as-adaptacoes-do-atendimento-na-assistencia-social-durante-o-distanciamento\/","title":{"rendered":"Conviv\u00eancia \u00e0 dist\u00e2ncia &#8211; As adapta\u00e7\u00f5es do atendimento na Assist\u00eancia Social durante o distanciamento"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\">Por reda\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>A atual pandemia manifestou o indescrit\u00edvel. A maior parte dos adjetivos \u00e9 falha ou simpl\u00f3ria para descrever a din\u00e2mica social que vivemos desde o fim do primeiro trimestre de 2020. Se as redes sociais vinham progressivamente redimensionando a forma como nos relacionamos, as medidas de distanciamento social, necess\u00e1rias para o enfrentamento da Covid-19, alteraram de forma definitiva nossa forma de conviver.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Assist\u00eancia Social, como diversas outras pol\u00edticas essenciais, n\u00e3o passa ilesa por esse per\u00edodo. Servi\u00e7os de Conviv\u00eancia e Fortalecimento de V\u00ednculos, Acolhimentos Institucionais &#8211; SCFV, Centros de Refer\u00eancia e diversos outros aparelhos de atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o precisaram se adaptar para lidar apropriadamente com a conjuntura atual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cInicialmente eu n\u00e3o achava que o v\u00edrus iria atingir a gente com tanta intensidade, apesar de acompanhar as not\u00edcias sobre outros pa\u00edses e sobre a facilidade do cont\u00e1gio do v\u00edrus. N\u00e3o imaginei que chegaria aqui com tanta facilidade e t\u00e3o r\u00e1pido\u201d, relata Aylanne, educadora social em um Servi\u00e7o de Conviv\u00eancia e Fortalecimento de V\u00ednculos em Recife\/PE. Ela prossegue refletindo sobre as impress\u00f5es mais imediatas acerca do distanciamento social: \u201cNo dia a dia, no conv\u00edvio semanal que a gente tem com as crian\u00e7as, adolescentes e familiares, muita coisa j\u00e1 passa despercebida. Ao mesmo tempo, tanta coisa \u00e9 observada que n\u00e3o caberia em um relat\u00f3rio di\u00e1rio. \u00c9 s\u00f3 esse contato cara a cara que pode trazer essas observa\u00e7\u00f5es. Pensei logo que o trabalho ficaria bem comprometido por essa aus\u00eancia do conv\u00edvio pessoal\u201d, diz Aylanne.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Anne Carolina Silva da Costa, orientadora social do Servi\u00e7o de Conviv\u00eancia e Fortalecimento de V\u00ednculos Formando Cidad\u00e3os, na Vila Mariana, em S\u00e3o Paulo\/SP, fala sobre as percep\u00e7\u00f5es acerca do processo de adapta\u00e7\u00e3o: \u201cPrimeiro foi a tentativa de se adaptar a um novo modelo. Quando a gente entrou nesse per\u00edodo t\u00ednhamos muito medo, muita d\u00favida e ang\u00fastia. A gente tinha que \u2018achar o ponto\u2019, porque tudo era desconhecido. Alguns dias depois passamos a estabelecer essa conex\u00e3o on-line com as fam\u00edlias, at\u00e9 porque a gente n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o na \u00e9poca se ir\u00edamos ficar 15 dias ou mais tempo. No come\u00e7o a gente foi pelo tato, pela intui\u00e7\u00e3o muitas vezes\u201d, relata Anne Carolina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro momento, Aylanne se lembra das rea\u00e7\u00f5es dos atendidos diante das medidas de distanciamento. \u201cEu pude perceber que as fam\u00edlias, assim como alguns colegas de fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinham ideia do tamanho do problema. E tamb\u00e9m boa parte n\u00e3o compreendia a gravidade. No come\u00e7o a gente recebia muitas reclama\u00e7\u00f5es, principalmente de crian\u00e7as e idosos, que t\u00eam uma energia de conviv\u00eancia, de querer, de gostar, de tocar e de sentir o momento. Grande parte reclamava e sentia muito essa aus\u00eancia logo no come\u00e7o. Outra parte achava que tudo era exagero, que duraria poucos dias\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Roger, orientador social do Centro de Atendimento \u00e0 Crian\u00e7a e ao Adolescente PAULUS, na Freguesia do \u00d3, zona norte do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, observa tamb\u00e9m que o desencontro de informa\u00e7\u00f5es no come\u00e7o do distanciamento social teve impactos na forma como as fam\u00edlias encararam a situa\u00e7\u00e3o: \u201cTudo faz sentido quando a gente compara como nossos atendidos e suas fam\u00edlias s\u00e3o orientados e recebem informa\u00e7\u00f5es e como a gente recebe as informa\u00e7\u00f5es; isso afeta o SCFV quando voc\u00ea discute com seu atendido e a fam\u00edlia que \u00e9 importante ficar em casa e l\u00e1 no in\u00edcio a orienta\u00e7\u00e3o era diferente. Ent\u00e3o senti que essa falha na comunica\u00e7\u00e3o das esferas governamentais come\u00e7ou a prejudicar nosso servi\u00e7o, j\u00e1 que muita gente n\u00e3o se cuidava no in\u00edcio. Como n\u00e3o se tinha muita informa\u00e7\u00e3o definida, a gente entrou em um limbo de estar totalmente apropriado para falar disso al\u00e9m dos cuidados b\u00e1sicos. Sempre assegurar \u00e0s fam\u00edlias que o certo era ficar em casa e esperar outras recomenda\u00e7\u00f5es. No in\u00edcio foi algo muito incerto, no qual as pessoas n\u00e3o acreditavam\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m sinaliza alguns motivos pelos quais alguns n\u00e3o se isolaram a princ\u00edpio: \u201cEm parte por essa quest\u00e3o estrutural, pois infelizmente a gente vive em um pa\u00eds no qual muita gente vive de subempregos. Para as fam\u00edlias e muitos atendidos colocar o p\u00e3o na mesa vem antes da pr\u00f3pria sa\u00fade. Mesmo em um cen\u00e1rio desses tem muita gente que precisa se manter trabalhando. Eles n\u00e3o t\u00eam outro caminho a n\u00e3o ser trabalhar. Muitas fam\u00edlias foram prejudicadas e perderam o emprego, mas muitas fam\u00edlias encontraram formas alternativas de gerar dinheiro para poder pagar as contas. Isso requer se arriscar na rua; aconteceu muito no come\u00e7o e est\u00e1 acontecendo at\u00e9 agora\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>David Wilson Pal\u00e1cio, que trabalha em um centro de acolhida para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, na zona leste de S\u00e3o Paulo, lidou com quest\u00f5es de outra ordem, j\u00e1 que a din\u00e2mica de seu servi\u00e7o conta tamb\u00e9m com a perman\u00eancia dos usu\u00e1rios: \u201cNo come\u00e7o foi muito dif\u00edcil instituir uma pol\u00edtica de distanciamento social, pois havia diverg\u00eancias entre as esferas municipal, estadual e federal. As sa\u00eddas permaneceram, mas a gente gerou um procedimento de justifica\u00e7\u00e3o de sa\u00eddas, mas isso foi s\u00f3 no come\u00e7o da pandemia quando a ordem era ficar 100% em casa. Os atendimentos da assistente social e da psic\u00f3loga focavam em quest\u00f5es mais urgentes, grupos reduzidos, mudou a quantidade de assembleias\u201d. Ele se atenta tamb\u00e9m \u00e0s particularidades do acompanhamento da popula\u00e7\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o de rua mais agravada pela vulnerabilidade social: \u201cUma quest\u00e3o no come\u00e7o era sobre atender a popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 na rua. Come\u00e7amos uma triagem maior, um acompanhamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pernoite, mas n\u00e3o deixamos de abrir vagas conforme elas surgiram. Tudo para resguardar tanto o quadro de funcion\u00e1rios quanto prestar um bom atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Nada foi paralisado, mas continuamos as atividades de forma reorganizada\u201d. \u201cA dificuldade maior \u00e9: somos um centro de acolhida, ent\u00e3o somos a casa de uma pessoa\u201d, complementa, sublinhando alguns dos desafios enfrentados: \u201cComo manter as pessoas aqui sem ferir o seu direito de ir e vir? A popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua tem uma rela\u00e7\u00e3o com a rua, ent\u00e3o, como mudar essa rela\u00e7\u00e3o?\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Geisa Gomes, que atua no Servi\u00e7o de Conviv\u00eancia e Fortalecimento de V\u00ednculos de Olho no Futuro em Osasco\/SP, comenta sobre algumas intera\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es: \u201cLogo no in\u00edcio do isolamento eu e o supervisor do SCFV fomos realizar a entrega de cestas b\u00e1sicas para as fam\u00edlias. Foram dois dias de trabalho e nesse contato com as fam\u00edlias pude sentir coisas diversas: pessoas esperan\u00e7osas que terminasse logo a crise, outras que n\u00e3o acreditavam muito na seriedade do v\u00edrus e outras que j\u00e1 estavam sentindo os danos desse processo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma estrat\u00e9gia adotada por diversos SCFV foi a de elaborar atividades on-line para manter o contato com as fam\u00edlias e o exerc\u00edcio da conviv\u00eancia: \u201cDepois do trabalho estruturado e do in\u00edcio das atividades remotas, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de saudade, de esperan\u00e7a, de cuidado coletivo. Agora em agosto, o que consigo sentir al\u00e9m desse sentimento \u00e9 um desejo de cuidado e de se manter esperan\u00e7oso, mas tamb\u00e9m h\u00e1 um sentimento de cansa\u00e7o\u201d, diz Geisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aylanne fala de algumas dificuldades do processo de conviver \u00e0 dist\u00e2ncia: \u201cUm problema dessa din\u00e2mica, da conviv\u00eancia virtual, \u00e9 ser pouco inclusiva. Alguns dos participantes n\u00e3o t\u00eam os recursos, ou seja, as vulnerabilidades gritam quando a gente coloca como condi\u00e7\u00e3o da garantia de um servi\u00e7o p\u00fablico esses requisitos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecendo essas dificuldades, Anne pontua a persist\u00eancia e as expectativas ao se atuar dessa forma: \u201cQuando come\u00e7amos, pens\u00e1vamos que se duas crian\u00e7as respondessem, pelo menos, j\u00e1 ter\u00edamos algum contato. N\u00f3s pensamos em conviv\u00eancia mais por qualidade do que por quantidade. Uma fam\u00edlia amparada por n\u00f3s e estamos com o trabalho feito. Uma ou trinta. Agora, diante dos resultados, a gente est\u00e1 pensando em inova\u00e7\u00e3o, amplia\u00e7\u00e3o, fazer coisas diferentes\u201d. J\u00e1 Roger aponta alguns \u00eaxitos dessa atua\u00e7\u00e3o: \u201cA estrat\u00e9gia foi trazer propostas de atividades l\u00fadicas, que mexem com a mente, com o autocuidado, uma coisa leve, mas com algum sentido de preserva\u00e7\u00e3o e pertencimento \u00e0 fam\u00edlia. Isso foi o que bolamos para manter a ideia de v\u00ednculo familiar\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>David sinaliza que, apesar dos receios iniciais, bons resultados foram obtidos ao longo dos meses. \u201cUm sucesso fundamental e inesperado foi que, \u00e0 medida que a pandemia ia ficando mais cr\u00edtica, a popula\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a entender a necessidade de ficar em casa, o que deu um apoio ao nosso trabalho. Outro sucesso inesperado foi o n\u00edvel baix\u00edssimo de conflitos com o regulamento e de conflitos internos, e eles eram de se esperar em uma situa\u00e7\u00e3o extrema como essa. Al\u00e9m disso, muita gente se desenvolveu no trabalho de oficinas, fazendo m\u00e1scaras e doando para outros servi\u00e7os, por exemplo. Nesse momento de crise as pessoas escolheram uma terapia ocupacional que \u00e9 o artesanato. Durante nossos grupos, nossas conversas, a gente sempre frisava que a ocupa\u00e7\u00e3o manual poderia ser uma alternativa para a ang\u00fastia que se sentia na quarentena\u201d, relata David.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Roger conclui, observando que algumas das estrat\u00e9gias adquiridas durante este momento podem ser mantidas no futuro: \u201cQuando acontecer um retorno presencial \u00e9 interessante n\u00e3o abandonarmos alguns destes elementos; aprender a trabalhar de forma presencial utilizando tamb\u00e9m essas tecnologias, e prosperar nesse sentido de fazer essa coisa dual: estar presente fisicamente e virtualmente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"template":"","tags":[],"categoria_do_conteudo":[225],"class_list":["post-7307","conteudos","type-conteudos","status-publish","hentry","categoria_do_conteudo-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/7307","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/types\/conteudos"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7307"},{"taxonomy":"categoria_do_conteudo","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paulus.com.br\/assistencia-social\/wp-json\/wp\/v2\/categoria_do_conteudo?post=7307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}