22º DOMINGO COMUM “Sê humilde e encontrarás graça diante do Senhor”.
| |
:: Artigo
O ÚLTIMO LUGAR Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp
Desde cedo aprendemos ser importante ocupar sempre o primeiro lugar. Na escola, tirar as melhores notas. No trabalho, ganhar prêmios e promoções. Nas competições, ficar sempre à frente. Em tudo, ser o melhor. Ao percorrer essa trajetória há um risco grande: fazer da fé também um modo de se autopromover, de pisar o outro para se dar bem. Um procedimento dessa natureza não condiz com a autêntica atitude cristã.
Para Jesus, as atitudes de seus seguidores devem ser de humildade e gratuidade. É realmente um comportamento que parece pouco atrativo para os dias de hoje. Trata-se de uma lógica fora de moda.
Jesus, evidentemente, não está ensinando seus discípulos a ser tontos. De jeito nenhum! Muito pelo contrário. Os discípulos devem ser portadores de santa esperteza, para não se deixarem levar pelo espírito de arrogância presente no mundo. Ser humilde não é ser bobo. Ser humilde é conhecer as próprias limitações. A humildade ensina a gratuidade. E quem age na gratuidade sabe receber os dons de Deus e compartilhá-los com os outros. A pessoa humilde não é egoísta nem autossuficiente. A autêntica humildade sabe que há mais alegria em dar que em receber. Ao humilde é mais fácil acolher o amor gratuito de Deus.
Daí a advertência de Jesus na liturgia de hoje a respeito da ocupação de primeiros lugares. Ocorre que ocupar os primeiros lugares representa a possibilidade de se deixar envolver pelos privilégios e perder a característica principal da vida cristã: o serviço. Quem anseia os primeiros lugares descaracteriza a comunidade dos discípulos.
O desafio, portanto, é reconhecer o lugar estratégico do cristão. Com a imagem do banquete, Jesus aconselha que o discípulo escolha o último lugar. Escolher o último lugar é pôr-se na situação de quem nunca ocupa lugar nenhum neste mundo: dos mais sofredores, dos que nem sequer têm oportunidade de dizer a sua palavra.
A comunidade cristã é, pois, chamada a aguçar sempre mais a capacidade de crítica da realidade. É chamada a ter palavras e ações em nome daqueles – e com aqueles – que nunca usufruem das iguarias dos banquetes da terra. Estando livre dos privilégios que acomodam, o discípulo terá maior liberdade para servir e construir o reino. Reino onde todos têm igual acesso às delícias da mesa.
:: Evangelho
XXIII DO TEMPO COMUM (Lucas 14,25-33)
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 25grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim não pode ser meu discípulo. 28Com efeito, qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ 31Ou ainda, qual o rei que, ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se, com dez mil homens, poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” – Palavra da salvação.