ENTREVISTA – ASSESSORIA DE IMPRENSA PAULUS — 10/06/2009
Canísio Mayer, autor dos livros Sonhos em Poesia e Fragmentos do Cotidiano, PAULUS, 2009.
A vida moderna consome muito tempo das pessoas. Como o senhor buscou inspiração em meio à rotina para escrever os livros Sonhos em Poesia e Fragmentos do Cotidiano?
O tempo é igual para todos, e desde sempre o sol nasce no leste e se põe no oeste. Porém, no brilho e no calor deste mesmo sol quem faz a diferença na história são as pessoas. A poesia nasce, floresce e acontece no encontro de olhares, na partilha de sonhos, no mergulho em desafios, na projeção da esperança. A inspiração nasce quando damos ouvido às intuições; quando não apenas ouvimos, mas escutamos o novo; quando passamos do “ver” ao “contemplar”; quando damos vez e voz à nossa veia poética, capaz de irrigar e dar sentido aos fragmentos do cotidiano.
Como a poesia pode colaborar com as pessoas para que elas criem um melhor relacionamento entre si?
A poesia nasce do coração da vida e deseja fortalecer as relações humanas. A poesia melhora os relacionamentos porque engrandece uma autoestima equilibrada, aprofunda valores, faz pensar, faz imaginar, faz transcender as dificuldades do dia a dia. A poesia proporciona momentos de encontro com o todo do viver, seja ele o passado-presente-futuro ou a articulação de todas as dimensões da nossa vida: família, trabalho, vida social, mística de vida, missão no mundo...
Como o senhor se sente quando escreve poesias?
É um momento indescritível. São situações inesperadas que se apresentam aos olhos e ressoam no coração. Trazem consigo um aroma de paz, um tempero de prazer, uma musicalidade que dança, uma novidade que acontece... São sentimentos muito bons!
Conte um pouco sobre a sua experiência. Como o senhor começou a escrever e como surgiu os primeiros trabalhos?
Minha especialidade são as dinâmicas de grupo. Dou cursos pelo Brasil para educadores, jovens, empresas... Dessa maravilhosa metodologia de trabalho nasceram 17 livros com ótima aceitação, tanto no Brasil como no exterior. Sistematizar e criar novas dinâmicas exigem imaginação, criatividade, ousadia, sonho... E esses são os ingredientes que ajudaram a soltar a veia poética. Desde criança rabiscava algo em forma de poesias. Porém, foram nos últimos anos que adquiri coragem e busquei me escutar mais, escutar o todo do viver e deixar que um novo olhar ajudasse a interpretar a vida. A poesia é uma forma simples de sentir em voz alta, de escrever com o coração, de voar nas asas da imaginação e da criatividade.
Qualquer pessoa pode desenvolver a habilidade de escrever poesias ou isso pode ser considerado um dom?
Eu confio nas pessoas; acredito na vida, busco dias melhores e afirmo o amor. Isso faz a vida ser poética. A poesia é algo inerente a todas as pessoas; é um dom e uma tarefa. É algo recebido gratuitamente, um potencial a ser desenvolvido. O que pode mudar é a forma como cada pessoa escreve e se expressa... A poesia não é privilégio de poucos.
Nos dois trabalhos, Sonhos em Poesia e Fragmentos do Cotidiano, o senhor disponibiliza, na mesma página com suas poesias, versos de outros autores e provérbios. Qual é o motivo desses detalhes?
Todos os poemas desses livros são de minha autoria. Cito frases de alguns autores, poetas e escritores, tudo para temperar ainda mais os próprios poemas. São dois livros de bolso que não ocupam muito espaço. As pessoas podem levá-los para o trabalho, férias, viagens, encontros, cursos. Além da leitura dos poemas, as pessoas têm a possibilidade de mergulhar na sabedoria e na força de frases e provérbios. Tudo tem uma intenção clara: favorecer a vida, alimentar a esperança, entregar-se de coração ao amor, que torna tudo novo, constantemente.
Qual é o poeta que você mais admira e por quê?
Eu tenho grande admiração pelo conterrâneo Mário Quintana. Admiro a simplicidade profunda com que ele escreve, a capacidade de surpreender, o seu olhar aguçado das coisas cotidianas e por ter sido um homem apaixonante e apaixonado. Gosto muito de Adélia Prado, de Rubem Alves entre tantos outros.
Deixe uma mensagem para as pessoas que não têm contato com a poesia em seu dia a dia.
Este é o momento. Diz Exupéry que “o melhor momento da vida é o momento presente”. E que tal você se presentear com esta nova forma de ser, viver e ler? Ainda mais porque se trata de livros bonitos, linguagem simples, preço acessível e de grandes ganhos para a vida pessoal e profissional. Celso Antunes, que faz a apresentação de Sonhos em Poesia, nos alerta sobre a importância e necessidade de lermos mais poesia, de optarmos por livros desse gênero, que oferecem muito mais do que meras leituras: são vivências capazes de plenificar as nossas vidas. Talvez o segredo ao lermos um poema seja “abaixar o nosso ouvido” até o chão para tentar escutar seus passos; projetar o nosso olhar para o horizonte onde a poesia deseja voar, abrindo a mente e o coração para aquilo que o poema quer revelar, e não apenas para aquilo que você deseja escutar... Desejo boas vivências poéticas. Desejo que, em meio aos fragmentos do cotidiano, nunca percamos a grandeza de sonhar, pois estes atos nos são muito íntimos e nos fazem persistir, superar, avançar e alcançar nossos objetivos.