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ENTREVISTA – ASSESSORIA DE IMPRENSA PAULUS — 27/01/2010

Cosette Castro, Por que os reality shows conquistam audiências? PAULUS, 2006

 

Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre os reality shows?

Quando fui fazer o doutorado na Espanha, queria seguir pesquisando televisão. Na época, pensava em fazer um estudo de caso sobre a programação brasileira. Em 2000, Big Brother literalmente parou Espanha e Portugal, e decidi analisar o discurso jornalístico sobre reality shows (RS) comparando-o com a opinião das audiências jovens nos dois países. Quando voltei ao país, já havia escrito e publicado artigos em português e em espanhol sobre o tema, e foi ao dar uma palestra que conheci o pessoal da PAULUS. A editora se interessou em desenvolver o livro, base para refletir sobre o assunto. Isso aconteceu em 2006.

A senhora teve alguma dificuldade ou sofreu algum tipo de preconceito ao falar sobre esse tipo de programa?

Minha orientadora na época me ajudou e apoiou, mas o coordenador do doutorado torceu o nariz. Posteriormente fui representar a Espanha e o Brasil em vários países europeus que tratavam do tema e tive a certeza de que estava indo pelo caminho certo. Quando voltei para o Brasil, na academia só escreviam coisas negativas a respeito do Big Brother ou de outros tipos de reality shows. Eu fui uma das primeiras (ou talvez a primeira) pessoas a desmistificar esses programas, até mesmo em atenção às audiências. Alguns colegas torceram o nariz, mas nunca me preocupei com isso. A diversidade de opiniões é importante, pois estimula a reflexão e o pensamento crítico.

Por que os programas convivem com os extremos, ou seja, ao mesmo tempo que conquistam audiência são alvo de críticas?

Por vários motivos, mas vou me reter a três:

1) Porque mexem com a emoção das pessoas;

2) Esses programas trazem a público o que teoricamente deveria permanecer no âmbito privado. Ou seja, expõem a vida dos participantes (embora eles aceitem isso);

3) Além disso, trazem à tona a paranoia do controle, da falta de privacidade, do olho que tudo vê, como no livro de George Orwell, “1984”, que foi escrito nos anos 50 do século passado.

Percebemos que a televisão influencia o comportamento humano. Na sua opinião, qual a influência de programas como Big Brother Brasil, Ídolos, A Fazenda na vida dos brasileiros?

Não acredito em toda essa influência dos reality shows, mas creio que as novelas seguem, sim, influenciando e criando moda. Os reality shows servem para divertir, para espiar a vida alheia sem a culpa judaico-cristã que carregamos; servem de parâmetro para comparar comportamentos e deixar as pessoas tranqüilas com relação à sua “normalidade”; servem de assunto no trabalho, no elevador, no bar, permitindo a socialização entre pessoas que habitualmente não teriam muitos temas em comum.

Como a senhora avalia a importância dada pelas grandes emissoras de TV aos programas de reality shows?

Esses programas são ótimos negócios para as emissoras. Além de baratos, aumentam a audiência e ajudam a vender produtos relacionados a si ou aos personagens/participantes.

O que busca o público desses programas e quais são as suas características?

Creio que as audiências buscam várias coisas, entre elas a diversão. Buscam olhar a vida alheia, se comparar, pensar como reagiriam em um regime de confinamento, em uma mesma situação de competição. Esse tipo de programa conquista o público porque é muito parecido com a vida real, afinal, as pessoas que dele participam poderiam ser alguém da nossa família. Além disso, apresentam pessoas que fazem ou falam coisas que a maioria também faria ou falaria, pois, no fundo, os reality shows tratam dos sentimentos e das relações humanas. Além disso, há um lado mau do ser humano que o faz assistir ao programa. As audiências têm o poder de “matar” simbolicamente os participantes ao eliminá-los. Na vida real, não podemos fazer isso com nosso chefe ou com alguém que a gente não goste.

A quem se destina o livro Por que os reality shows conquistam audiências? e como ele pode colaborar com o leitor interessado?

A qualquer pessoa que se interesse pelo tema e não esteja buscando apenas um autor a mais que tenha falado mal dos reality shows. Pode ser um aluno, um professor ou um fã, independentemente da idade, embora o livro seja uma pequena parte da minha tese, tentei escrever também sobre outros reality shows, para dar oportunidade de as pessoas entenderem as razões do sucesso deste tipo de entretenimento, sem cair no discurso fácil da crítica.

  
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