Ações concretas de ajuda
para a construção de uma sociedade mais humana
TÍTULO: A Dádiva da Sobriedade

SUBTÍTULO: A ajuda mútua nos grupos

AUTOR: Leonardo de Araújo Mota

CATEGORIA: Sociologia

N° DE PÁGINAS: 200 páginas

PREÇO: R$ 24,00

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CONTRA-CAPA
Num contexto social onde a vida humana perde seu valor em nome da perseguição ansiosa do lucro, proliferam inúmeras patologias como o alcoolismo, o abuso de drogas, a depressão, a síndrome do pânico e outras. Longe de significar uma fraqueza de caráter como alguns podem insinuar, essas doenças refletem claramente o mal-estar que assola nossa sociedade. Nascidos sob condições de intenso sofrimento psíquico, os grupos anônimos de ajuda mútua representam uma reação original a tal situação. Grupos como Alcoólicos Anônimos (AA) ou Narcóticos Anônimos (NA) já se encontram difundidos por mais de 100 países. Sem a direção de nenhum líder carismático, desprezando campanhas publicitárias dispendiosas ou qualquer outra forma de ostentação, estes inovadores sistemas de dádiva se constituem um dos fenômenos sociais mais promissores da atualidade.
SINOPSE
Trabalho sociológico sobre os grupos anônimos de ajuda
mútua é publicado pela primeira vez no Brasil

Numa época que sentimos a violência e o desamor em nosso cotidiano, somos novamente chamados a fazer parte da grande família humana, incentivando a solidariedade, a fraternidade e o diálogo. Não se trata de retórica, mas sobretudo de ações concretas que possam ser efetivamente vivenciadas por todos nós.

É exatamente nesse contexto que o sociólogo Leonardo de Araújo Mota apresenta – no livro A Dádiva da Sobriedade: a ajuda mútua nos grupos de Alcoólicos Anônimos (AA), lançamento Paulus – um estudo aprofundado sobre a Irmandade de Alcoólicos Anônimos (A.A.), uma associação que é a solidariedade em ação, que transcende as palavras e os discursos vazios.

Seu conteúdo é fruto de uma pesquisa desenvolvida com 100 membros de A.A. de Fortaleza/CE. Grande parte das referências bibliográficas foram enviadas por pesquisadores estrangeiros (EUA, Suécia, Israel), sendo inéditas no Brasil. Mota afirma que A Dádiva da Sobriedade constitui o primeiro trabalho sociológico específico sobre os grupos anônimos de ajuda mútua a ser publicado no Brasil.

Grupos como Alcoólicos Anônimos (A.A.) ou Narcóticos Anônimos (N.A.) já se encontram difundidos em mais de 100 países. Sem a direção de nenhum líder carismático, desprezando campanhas publicitárias dispendiosas ou qualquer outra forma de ostentação, estes inovadores sistemas de dádiva não conhecem fronteiras que inibam sua expansão através dos continentes e constituem um dos fenômenos sociais mais promissores da atualidade.

A Dádiva da Sobriedade: a ajuda mútua nos grupos de Alcoólicos Anônimos (AA) surge com três objetivos principais: 1º) debater sobre a problemática do alcoolismo, relegado atualmente a um segundo plano em relação às drogas ilícitas; 2º) remover a “cortina de fumaça” que ainda separa o A.A. da sociedade, que geralmente ainda alimenta uma série de preconceitos e mal-entendidos com relação a esta Irmandade e seus membros; 3º) buscar, mediante o exemplo de Alcoólicos Anônimos, colaborar para a construção de uma sociedade mais humana, divulgando a teoria da dádiva de Marcel Mauss e sua importância para as Ciências Sociais na atualidade.

Leonardo de Araújo Mota nasceu em Fortaleza, Ceará, é bisneto do consagrado folclorista Leonardo Mota. É formado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde realiza pesquisas sobre os grupos anônimos de ajuda mútua.

Informações
William Lara e Guy Júnior – (11) 5087-3734 / 5087-3742 – imprensa@paulus.com.br

ENTREVISTA

Solidariedade
compartilhada


Às vésperas do lançamento de seu livro Dádiva da sobriedade, o sociólogo Leonardo Mota explica-nos como se deu a obra e como funcionam os Alcoólicos Anônimos (A.A.).
Porque o A.A. deve ser considerado modelo de solidariedade?
Para começar, nenhum grupo de A.A. pode ser fundado por um único membro. É neces-sária a presença de dois ou mais alcoólicos em recuperação para que qualquer grupo passe a funcionar. A ajuda mútua esteve presente nos A.A. desde a sua fundação, por meio de Bill W. e do Dr. Bob, em 1935. A solidariedade se estabelece na medida em que uns ajudam os outros a superar suas dificuldades sem ter de apelar para a fuga por meio da bebida. A sobriedade de cada um depende da união do grupo; quando um elo se rompe, todos perdem. Cada vez que um membro ajuda o outro está ajudando a si
próprio. Apenas um alcoólico pode penetrar nos sentimentos de outro alcoólico, assim é que surge a identificação recíproca que servirá de estímulo à solidariedade. Por isso é que eu discordo quando denominam A.A. e outras organizações similares de “grupos de auto-ajuda”. No meu entender, o que existe em A.A.é ajuda mútua, e não auto-ajuda.

No que A.A. se difere de outros movi-mentos, grupos e instituições?
As 12 Tradições de A.A. – diretrizes organizacionais da irmandade – estabelece-ram uma estrutura não-hierárquica que se abstém de qualquer vínculo institucional com governos, partidos políticos, seitas ou religi-ões. O sustento econômico dos A.A. provém unicamente de seus próprios membros, pois não são aceitas quaisquer contribuições de fora, evitando que influências externas possam desvirtuar seus objetivos primordiais. Não é permitido a Alcoólicos Anônimos
adquirir imóveis ou outros bens a não ser o estritamente necessário ao funcionamento de seus Escritórios Locais de Serviços. Esse princípio de pobreza coletiva conseguiu livrar a organização de muitos problemas e costu-ma ser bastante enfatizado na sua literatura. Procura-se fazer tudo com simplicidade, sem maiores comprometimentos a não ser ajudar aqueles que desejam parar de beber.

Em que se fundamenta, como motiva e interage com seus membros, qual sua dinâmica e eficácia?
A motivação básica para os A.A. freqüenta-rem os grupos é manter-se distante do primeiro gole. As pessoas não procuram A.A. porque têm o hábito de tomar duas cervejinhas no jantar, mas porque o álcool lhes causou muitos danos. No entanto, como a participação nos grupos é voluntária, fica
sempre a critério de cada um avaliar se vale a pena neles ingressar. A única autoridade exercida sobre um membro de A.A. é seu próprio sofrimento decorrente do alcoolismo. A dinâmica de A.A. está baseada numa forma paradoxal que combina egoísmo e altruísmo, pois quem ajuda o outro acaba por se beneficiar com essa ação.

Qual o significado da sobriedade e no que ela se diferencia da abstinência?
O programa não objetiva a mera abstinên-cia alcoólica. Existe uma ênfase no aspecto espiritual. Para A.A., o alcoolismo não é um problema estritamente biológico, passível de ser resolvido apenas com a retirada da bebida, mas enfatiza que o alcoolismo engloba fatores psicológicos, sociais e espirituais que
devem ser considerados. O programa é formado pelo seguinte tripé: medicina, religião e experiências dos membros. A abstinência difere da sobriedade no sentido de que a segunda presume um estado mais elevado de espiritualidade e bem-estar. Para A.A., parar de beber é apenas o primeiro passo em busca da felicidade perdida, justamente aquela que o álcool prometeu e não cumpriu. A abstinência é
geralmente árida e confusa, já a sobriedade é tranqüila e feliz.

Porque escolheu A.A. para sua pesqui-sa, como surgiu a idéia de publicar o livro e como foi o seu desenvolvimento?
A desesperança acaba por afetar contin-gentes significativos da população. Não é por acaso que o alcoolismo e a drogadição estejam aumentando, assim como o consumo de psicotrópicos. O fim das grandes utopias, a banalização da violência e a mercantilização generalizada produziram um homem
moderno desumanizado. Foi nessa perspectiva que decidi realizar um trabalho sobre os grupos de ajuda mútua, mostrando como tais organizações conseguiram expandir-se pelo mundo sem sucumbir às tentações do dinheiro e do poder. Encontrei na teoria da dádiva de Marcel Mauss um referencial teórico privilegiado para a análise dos vínculos sociais fora da esfera do mercado ou do Estado. A dádiva,
caracterizada pela tríplice obrigação de dar, receber e retribuir ainda se faz presente nas sociedades modernas. Afinal, nem tudo o que circula entre as pessoas está estabelecido em termos de compra e venda. Tive muitas dificuldades para encontrar literatura sociológica específica sobre os grupos de
ajuda mútua. Entre a concepção inicial do projeto e a publicação do livro transcorreram quase 4 anos.

Quais são os principais objetivos da obra?
Primeiro, debater a problemática do alcoolismo, relegado atualmente a um segundo plano em relação às drogas ilícitas; segundo, remover a “cortina de fumaça” que ainda separa A.A. da sociedade, que ainda
alimenta uma série de preconceitos e mal-entendidos com relação a essa irmandade e seus membros; e terceiro, buscar, por meio do exemplo de Alcoólicos Anônimos, colaborar na divulgação da teoria da dádiva de Marcel Mauss e de sua importância para as Ciências Sociais na atualidade.

Qual a contribuição da obra para a comunidade acadêmica e para a sociedade?
A contribuição para a academia está na originalidade do tema e de sua inserção naárea de estudos relacionada à dádiva e ao Movimento Antiutilitarista nas Ciências Sociais. Como se trata de um trabalho introdutório na Sociologia brasileira, espero que ele desperte o interesse de outros
pesquisadores, bem como de setores da sociedade simpáticos ao tema.

Atividades atuais, novos projetos?
Minhas atividades atuais estão voltadas para meu doutoramento em Sociologia. Meu projeto atual pretende discutir as representa-ções sociais associadas ao dependente químico. A dependência química é uma doença ou um “desvio” de comportamento? Essa é a pergunta-chave sobre a qual
pretendo orientar minha pesquisa.
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